NOVIDADE

Rússia e Brasil: reflexões sobre Segurança Pública

07

Fev

2014


Por Luiza Lourenço
E-mail: luiza.lourenco@gestaoesporte.com.br


Muito se tem discutido sobre os legados dos megaeventos esportivos, em uma tentativa de justificar aos anfitriões os impactos envolvidos na realização daqueles. Com a iminência dos Jogos de Inverno de Sochi, na Rússia, e posteriormente a Copa do Mundo no Brasil, o investimento em Segurança Pública entrou em pauta permitindo reflexões sobre sua relação com o Esporte.


Após os ataques terroristas em Volvogrado, a cidade de Sochi se transformou em uma fortaleza contra ameaças terroristas, sendo a edição mais cara dos Jogos. São investimentos que beiram 40 milhões de euros que incluem 40.000 polícias e tropas, instalações de sistemas antimísseis e vigilância por 24h. A última declaração do vice primeiro-ministro da Rússia Dmitry Kozak revelou a existência de um sistema de vigilância interno até mesmo nos banheiros das hospedagens.


Em uma breve análise do atual conteúdo noticioso relacionado às questões que envolvem Rússia e Brasil, a Segurança Pública é tratada como fatores que garantirão a noção de estabilidade durante a realização dos eventos. Seja pela exploração das medidas tomadas pelo governo russo e sua preocupação após ameaças terroristas, ou sobre a preparação do governo brasileiro e seus investimentos em equipamentos e policiamento, pode-se inferir que há uma preocupação muito maior com o gerenciamento de possíveis crises ao invés do estímulo a políticas públicas que permitiriam o desenvolvimento em longo prazo no quesito.


De acordo com Cardoso (2013), baseados nas colocações de Klauser (2009), nessas relações, três tipos de riscos são comumente identificados e, a cada um deles, estariam correspondidos "diferentes tipos de legados: a violência política ou o terrorismo; a violência entre/de espectadores; e a violência urbana e a criminalidade local". Se tornando o último quesito aquele que deveria ser o mais significativo no caso brasileiro.


Cardoso (2013) ressalta que a preparação para os eventos esportivos pode ser uma oportunidade para se voltar as atenções ao que visa o combate à violência cotidiana e à criminalidade urbana, além da atuação e gerenciamento da Segurança Pública. Para isso, torna-se necessária a criação de um novo modelo de atuação, que se caracterizaria pelo trabalho coletivo, circulação de informações e modernização tecnológica. De fato, essa é a promessa do Governo Brasileiro, que há um ano publicou o Planejamento Estratégico de Segurança Pública e de Defesa para a Copa do Mundo FIFA 2014, indicando a centralização dos órgãos em um Sistema Integrado de Comando e Controle (SICC).


Porém, ainda de acordo com os estudos de Cardoso (2013), há uma grande dificuldade operacional relacionada à falta de afinidades e a existência da fragmentação entre as diversas instituições e diversos setores, deixando a desejar a ideia de uma modernização e desenvolvimento. Vide diversas ações recentes, como a retirada das comunidades no entorno do Maracanã e até mesmo a atuação nos recentes protestos pelo país. Para o autor, os Centros de Comando e Controle não deveriam ser planejados apenas como um aparato físico e munido de instalações tecnológicas de última geração, mas também como um local para o desdobramento de procedimentos, protocolos e comunicações devidamente estabelecidos e treinados.


Fussey e Coaffee (2012) abordam que a padronização e a intensa preocupação com as estratégias de segurança contra o terrorismo (e aqui a proposta é ampliar o pensamento também para outros tipos de violência) promovem gastos muitas vezes excessivos e que não condizem com a situação local. Os megaeventos se tornam um utilitário esportivo simbólico para ações terroristas ou manifestações violentas. À Gestão do Esporte, cabe entender as relações entre o Esporte e a Segurança Pública, analisando as questões sociais envolvidas e ainda buscar estabelecer se o terrorismo ou a violência motivada visa especificamente o evento, antes de serem estabelecidas as estratégias que possam garantir resultados em longo prazo ou, de fato, um legado.


Crédito das imagens:

globoesporte.com

noticias.uol.com.br


Referências Bibliográficas e Fontes de Pesquisa:


Agradecimento à contribuição da Profa. Dda. Bárbara Schausteck de Almeida


http://www.publico.pt/mundo/noticia/a-cortina-de-seguranca-em-sochi-pode-ser-curta-para-tapar-o-resto-da-russia-1618750


http://globoesporte.globo.com/olimpiadas-de-inverno/noticia/2014/02/politico-deixa-escapar-que-cameras-vigiam-pessoas-no-chuveiro-em-sochi.html


http://www.ebc.com.br/esportes/galeria/audios/2014/02/governo-debate-acoes-de-seguranca-publica-para-copa


http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,plano-de-seguranca-para-a-copa-do-mundo-no-brasil-sera-integrado,1125622,0.htm


CARDOSO, Bruno V. . Megaeventos Esportivos e modernização tecnológica: planos e discursos sobre o legado em segurança pública. Horizontes Antropológicos (UFRGS. Impresso), v. 19, p. 119-148, 2013.


FUSSEY, P. e COAFFEE, J. Balancing local and global security leitmotifs: Counter-terrorism and the spectacle of sporting mega-events. International Review for the Sociology of Sport 47 (3), 268-285, 2012.


SAPORI, Luis Flávio. Segurança pública no Brasil: desafios e perspectivas. Rio de Janeiro. Editora FGV, 2007.

 

 


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