NOVIDADE

O doping infantil e o futuros dos atletas

26

Fev

2014


Por Luiza Lourenço

E-mail: luiza.lourenco@gestaoesporte.com


Em janeiro deste ano, um caso trouxe à tona uma prática recente no Esporte que proporciona uma reflexão: o doping infantil.


A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos confirmou o doping de um atleta de 13 anos no Campeonato Brasileiro Infantil de Natação. Baseando-se no código da Agência Internacional Antidoping (Wada) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a identidade do menor não foi divulgada no intuito de preservar sua imagem e ele foi suspenso por quatro meses. O uso registrado foi da substância metilhexaneamina, um estimulante que pode provocar o aumento da força, da concentração e da atenção ao mesmo tempo em que pode trabalhar na redução do peso, pois diminui o apetite.


O caso aponta uma tendência em relação ao tratamento de crianças atletas dentro dos clubes ou competições. Muitas vezes, cobra-se delas os mesmos rendimentos de atletas profissionais, atribuindo-lhes rotina de exercícios e treinamentos semelhantes a dos competidores de alto nível. Soma-se a esses fatores o ritmo de vida que essas crianças geralmente levam, com uma quantidade significativa de atividades, conciliando escola, aulas de idiomas e outros cursos, além da prática esportiva. Muitas já seguem dietas que preveem suplementos alimentares e vitaminas artificiais.


A pressão por resultados, em alguns casos, pode gerar atitudes desmedidas dos responsáveis por esses pequenos atletas, quando lançar mão dos suplementos já não se revela o suficiente e acabam por optar pelo uso de substâncias ilegais, anabolizantes e/ou estimulantes. Há uma inversão dos valores do Esporte e pais, treinadores e dirigentes se tornam coniventes com o erro e dopam os futuros atletas em busca de vitórias e patrocínios, focando apenas no resultado em curto ao invés do em longo prazo.


Conhecendo a amplitude da discussão em torno do doping e seus desdobramentos (sobre o que de fato poderia ser ou não permitido, sobre as regras e possíveis aberturas para uso de algumas substâncias, entre outros aspectos que já foram tratados aqui no GestaoEsporte.com), não se pode relevar o fato de que esses atletas ainda estão em fase de desenvolvimento, ou seja, não tem suas etapas de maturação completas. Dessa maneira, o uso de determinados elementos podem comprometer não só a esperada carreira profissional, como trazer danos à saúde das crianças. Na publicação Ilusão no esporte, nosso companheiro de trabalho Gustavo Lucas apresenta uma lista de substâncias que, em princípio, podem promover a melhoria do desempenho dos atletas, mas causam efeitos secundários nocivos, que vão de desidratação e danos ao coração até morte súbita (veja aqui).


A cobrança exacerbada não influi apenas no desgaste físico das crianças e adolescentes, mas também no desgaste psicológico. Muitas vezes, pais, treinadores e dirigentes prejudicam a relação dos futuros atletas com o Esporte, quando depositam neles suas vontades e a busca pela vitória se torna uma obsessão, ignorando que os pequenos não tem capacidade de compreender e optar pela competitividade.


A Gestão do Conhecimento prevê o entendimento do processo maturacional da criança, conhecendo seus limites e aspectos fisiológicos para determinada prática esportiva. Através dela, o gestor associa diversas áreas do saber além da Fisiologia e Psicologia, como Nutrição, Medicina e Educação Física, entre outros. Dessa maneira, o profissional se torna apto para transformar essa realidade e compreender as necessidades de uma criança, assegurando sua saúde mental e física em um projeto em longo prazo no qual, de maneira ideal, ela seria apenas uma criança.


Imagens de reprodução


Fontes de pesquisa e sugestão para aprofundamento:

http://www.swimvortex.com/doping-fair-play-and-the-boy-in-the-bubble-built-by-brazil/

http://blogs.estadao.com.br/olimpilulas/cbda-confirma-doping-de-nadador-em-torneio-infantil/

CBAT. A responsabilidade do Atleta e dos treinadores perante questões relacionadas ao Doping no desporto. Disponível em: http://www.cbat.org.br/anad/responsabilidades.asp

 

 


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