NOVIDADE

O desejo de promover a Inclusão social através dos Jogos Olímpicos

20

Fev

2014


 

Por Roney Testa

E-mail: roneyat@hotmail.com

 


Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 que serão realizados no Rio de Janeiro serão um marco para o esporte brasileiro em todos os aspectos. Os olhos de todo o mundo estarão voltados para a capital Fluminense e será o momento da cidade ratificar a sua importância para o cenário mundial, não só no aspecto turístico, mas também econômico, ambiental e sociocultural.

 

 

O legado sociocultural dos Jogos irá além dos valores olímpicos como amizade, solidariedade, respeito e fair play, a inclusão social será a principal marca que o evento deseja deixar para a população carioca. Através de políticas públicas de desenvolvimento, adotadas pelos governos federal, estadual e municipal, tem por objetivo levar a milhares de jovens em situação de vulnerabilidade o direito à cidadania, oferecendo acesso ao esporte, lazer, cultura e capacitação profissional. Na cidade do Rio de Janeiro, 23% da população são constituídas por jovens, muitos deles mal assistidos, a mercê da violência urbana e das drogas, daí a preocupação dos governos com este público. Vale destacar que a prática esportiva é a porta para inclusão social, além de promover a saúde e a qualidade de vida, é uma ótima forma de entretenimento.

 

 

A ideia é que os Jogos Olímpicos aumentem o interesse dos jovens pela prática de esportes, principalmente se esta prática estiver associada a oportunidades de formação profissional, cultural e educacional. Dentre alguns programas criados pelo Governo Federal em parceria com o Ministério do Esporte, focando nos megaeventos esportivos que ocorrerão no país, está o "Segundo tempo", que tem por objetivo democratizar o acesso à prática e à cultura do esporte de forma a promover o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens, prioritariamente em áreas mais vulneráveis.  A parceria entre os Correios e a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) é outro projeto que pretende promover ações esportivas com crianças e adolescentes. Um dos objetivos da CBT é levar a modalidade para 40 escolas públicas de cinco capitais brasileiras, incluindo o Rio de Janeiro, mais o Distrito Federal, onde os jovens possam aprender e praticar o esporte durante as aulas de educação física. No entanto, não existe de forma concreta e comprovada que estas ações têm surtido efeito, pois a dois anos dos Jogos todo o planejamento de legado social deveria estar finalizado e sendo colocado em prática.

 

 

Para o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, o impacto do evento no Rio de Janeiro será ímpar e ressaltou a importância da disseminação dos Valores Esportivos entre jovens e crianças, fomentando que o esporte é uma grande ferramenta para inclusão social e a educação e que o Brasil ganhará muito com o envolvimento da juventude inspirado nos valores da amizade e respeito ao Movimento Olímpico. Para finalizar Nuzman acredita que o evento agirá como uma força transformadora, capaz de alterar a realidade econômica e social da cidade, do estado e até do país. "Os Jogos serão um catalisador do progresso esportivo e social para comunidades do Brasil e de todo o mundo" completou o presidente.

 

 

Uma das estratégias dos organizadores para estimular a sociedade, principalmente os jovens, a verem o maior evento esportivo do mundo com "outros olhos" e se beneficiarem dele, é fomentar a educação olímpica. Fazer o cidadão entender a representatividade de um evento deste porte e os impactos que ele pode proporcionar para a vida da sociedade de maneira geral é essencial. "Como sede da próxima edição, temos a responsabilidade de contribuir para o processo de educação olímpica do povo brasileiro, que vai muito além de conhecer as regras dos 28 esportes que compõem o programa do maior evento esportivo do mundo", destaca Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Rio 2016.

 

 

De um modo geral, podemos chamar de Educação Olímpica as propostas educativas através do esporte tendo como referência o Movimento Olímpico, seus valores declarados, seu simbolismo, sua história, seus heróis e suas tradições.  A ideia do projeto é mobilizar a rede educacional, preparar material didático e treinar professores, inserindo nas salas de aula conceitos sobre a importância dos Jogos Olímpicos em todos os níveis sociais além de explorar as riquezas históricas, geográficas, culturais, simbólicas e linguísticas do Movimento Olímpico. Contudo é de se afirmar, que para uma maior eficácia nas ações de inclusão social através da Educação Olímpica, deveria ter sido feito um mapeamento dos programas de edições anteriores, uma coleta de dados aprofundada, se aproveitando dos conceitos da Gestão do Conhecimento. A importância desta estratégia deve-se ao fato de determinar tendências e minimizar erros. Entretanto existe de fato um projeto de Educação Olímpica bem articulada, desenvolvido diretamente com as escolas de todo o país ou é apenas um discurso político? As propostas tendem a ser temporárias ou se tornar de fato um apêndice à educação escolar, legitimando seus ideais, tornando a escola um lugar de transmissão de conhecimentos ligados ao esporte e não somente à prática dele, sendo inserido na cultura escolar como uma ação permanente, atribuindo o conceito de "esporte na escola".

 

 

Preparar os jovens para o maior evento esportivo do planeta é uma passo primordial para o país, caso deseje deixar um legado sociocultural, e sonhar com um futuro promissor, para que estes meninos de hoje se tornem grandes homens amanhã, contribuindo para o processo de desenvolvimento do esporte no país. Contudo, este seria o cenário ideal, entretanto na realidade esta estratégia de inclusão está surtindo efeito?

 

 

Em novembro do ano passado, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, firmaram uma parceria para desenvolver iniciativas voltadas para jovens em situação de vulnerabilidade. A parceria pretende desenvolver projetos em comunidades carentes, que através do esporte, promoverão a inclusão social de crianças e adolescentes que vivem em situação de risco na cidade do Rio de Janeiro, contribuindo positivamente também para um aumento da segurança de comunidades. Vale destacar que o Banco Interamericano de Desenvolvimento é a maior fonte de financiamento para o desenvolvimento na América Latina e Caribe, com um forte compromisso de obter resultados mensuráveis para reduzir a pobreza e a desigualdade na região de maneira sustentável.

 

 

Este assunto pode servir de grande debate no intuito de fiscalizarmos se de fato todos esses projetos, entre outros não citados, estão ou estarão saindo papel ao longo desses dois anos que antecedem os Jogos Olímpicos. Podemos perceber que na teoria existe uma grande possibilidade de resultados positivos, contudo na prática pode ser que essa realidade seja mais negativa. E você leitor, está preparado para refletir sobre este debate? É possível que os Jogos deixem um legado social  positivo?

 

 

Fonte imagem

 

http://www.onu.org.br/unicef-legado-social-da-copa-do-mundo-e-educacao-fisica-inclusiva/

 

Fontes de pesquisa e sugestões para aprofundamento:

 

http://www.confef.org.br/extra/revistaef/show.asp?id=3835

 

http://www.esporte.gov.br/arquivos/rio2016/cadernoLegadosSocial.pdf

 

http://www2.esporte.gov.br/snelis/segundotempo/maiseducacao/default.jsp

 

http://rio2016.com/noticias/noticias/exposicao-olimpica-chega-a-cidade-sede-dos-jogos-rio-2016

 

http://www.esporte.gov.br/arquivos/snelis/esporteLazer/cedes/olimpismoEducacaoOlimpica.pdf

 

http://www.jornal.ceiri.com.br/rio-2016-parcerias-para-fomentar-o-desenvolvimento-via-esporte/

 

http://www.iadb.org/pt/noticias/comunicados-de-imprensa/2013-11-01/bid-e-rio2016,10630.html

 

http://www.seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/2228%26sa%3DU%26ei%3DZgBkTr6eOobZgQf_3Om-Cg%26ved%3D0CBEQFjABOHg%26usg%3DAFQjCNFUDmzTjHaZAX5_4Ms4yRzxUI08xg

 

Legados de Megaeventos Esportivos Editores: Lamartine DaCosta, Dirce Corrêa, Elaine Rizzuti, Bernardo Villano e Ana Miragaya, Brasília: Ministério do Esporte, 2008

 

 


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