NOVIDADE

O desafio da Copa Sustentável

03

Abr

2014


Por Luiza Lourenço

E-mail: luiza.lourenco@gestaoesporte.com

 

A Sustentabilidade é um elemento em evidência nos conceitos da sociedade atual e, por essa relevância, entra como um item imprescindível na realização de Megaeventos Esportivos, estando inserido no pacote de legados que devem se sobrepor aos impactos advindos das produções.


Lamartine DaCosta e um grupo de pesquisadores (2008) apresentam o significado de sustentabilidade apoiados na diretriz estipulada pelo Comitê Olímpico Internacional como sendo "o desenvolvimento que atende as necessidades das gerações presentes sem prejudicar as gerações futuras". Em torno dessa ideia, desenvolveu-se o projeto para a execução dos Jogos Olímpicos de Londres de 2012, apresentado neste vídeo veiculado há um pouco mais de um ano antes do evento.



Presente nos Jogos de Pequim, Barcelona, Sydney e Atenas, a filosofia alcançou grande dimensão nos Jogos de Londres e segue como um dos requisitos para a execução do evento exigidos pelo Comitê Olímpico Nacional que, conhecendo suas responsabilidades e baseado nos princípios que regem a Carta Olímpica, estendeu a atuação do Movimento Olímpico para as questões ambientais. Assim, além da promoção do Esporte e da Cultura, tem-se o Meio Ambiente como um dos pilares do Olimpismo.


A organização que atuou em Londres pode ser classificada como bem sucedida no cumprimento do seu Plano de Sustentabilidade 2012, apresentado em 2007. Os cinco temas-chaves apresentados foram os seguintes: mudança climática; lixo; biodiversidade; inclusão e vida saudável. Em junho de 2013, o portal Panorama apresentou como algumas das iniciativas obtiveram resultados positivos como a reciclagem de 90% dos entulhos produzidos nas demolições, reduzindo o uso de energia e a emissão de gás carbônico ¹.


Já para o arquiteto e urbanista Paulo Roberto Masseran, professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp, campus de Bauru-SP), o aproveitamento não foi tão completo assim². Na publicação, o profissional destaca o fato de que não se previu o alto custo do desmonte e da utilização de algumas peças que não se revelaram tão multifuncionais como pretendiam.


Entretanto, os ganhos contabilizados podem ser verificados em diversos outros setores como energia elétrica, melhor utilização dos recursos hídricos nas instalações utilizadas para os eventos e, como um dos destaques, revitalização urbana e setor imobiliário, ainda segundo o portal Panorama em 2013.


Seguindo essa linha e inspirados pelo sucesso londrino, a gestão brasileira tem o desafio de fazer presença como uma organização eficiente e capaz de associar os conhecimentos de meio ambiente e sustentabilidade com a produção de eventos desportivos. A Copa do Mundo de 2014 tem sido pensada abordando esses quesitos, que também é um dos fatores exigidos pela FIFA, sendo colocada inicialmente como uma promessa de ser "o Mundial da Sustentabilidade".


Pela primeira vez em sua história, o Mundial contará com estádios que receberam os certificados de sustentabilidade, item que será obrigatório para a próxima competição em 2018, na Rússia. Em um vídeo publicado em 2012 no canal oficial de obras do Maracanã, pode-se ver como foram estabelecidos o projeto e a ações de Gestão Ambiental na reforma do estádio.





No entanto, o atraso na construção de outros estádios pode afetar as medidas de Sustentabilidades envolvidas na Copa do Mundo do Brasil. Os dados são da matéria publicada em fevereiro deste ano na seção de esportes do portal Terra ³. De acordo com o publicado, o chefe do departamento de Responsabilidade Social e Sustentabilidade da Fifa, Federico Addiechi, afirmou que os quesitos que envolvem sustentabilidade e acessibilidade já sofreram algum impacto e que deixam de ser prioridades, frente ao aumento de custo e o caráter de urgência causados pelo não cumprimento dos prazos das obras. Apenas a Arena Castelão, em Fortaleza, já possui oficialmente o certificado de edificações verdes, embora outros, como o Maracanã, sigam os padrões americanos Leed.


Outro fator que pode comprometer a política de Sustentabilidade mais abrangente dos Mundiais é a quantidade de emissão de carbono, projetada em 2,72 milhões de toneladas de acordo com relatório divulgado pela FIFA, relatado ainda na matéria do Terra ³. O valor emitido na última competição realizada na África do Sul foi de 1,65 milhão. Esse número é um reflexo das distâncias maiores entre as cidades sedes brasileiras, levando a longas viagens de carro e avião.


Elaborado pela FIFA e pelo Comitê Organizador Local (COL), o Plano de Estratégia de Sustentabilidade5 (2002) prevê ações integradas para fazer do evento uma referência para os próximos e com o intuito de diminuir o impacto ambiental, produzindo ainda iniciativas com resultados para além da competição. Muitas estão sendo eficientemente incentivadas e coordenadas, outras ainda precisam sair do papel e já se fala no cumprimento delas posteriormente para os Jogos Olímpicos, já que faltam um pouco mais de dois meses para o Mundial.


No portal oficial do Governo Federal sobre a Copa, é possível acompanhar as atividades desenvolvidas na tag sustentabilidade. Além dos planos de reciclagem e destinação adequada dos resíduos gerados, há outras iniciativas como a emissão do Passaporte Verde promovendo o Turismo Sustentável e o aproveitamento das estruturas metálicas empregadas nas obras do estádio Mané Garrincha para a construção de escolas.


Pensar em realizações de atividades deste porte envolvendo os ideais de Sustentabilidade é um desafio não só para a Gestão do Esporte, mas para a sociedade atual na tentativa de preservar os recursos e provocando o menor impacto possível para as futuras gerações. O compromisso traçado pela gestão esportiva no Brasil, e para tal seria pertinente a utilização da Gestão do Conhecimento, é associar a as questões relacionadas ao evento com as ambientais, entendendo a multidisciplinaridade envolvida e promovendo estratégias e soluções inovadoras capazes de propagar a educação ambiental por meio do Esporte.


¹http://panorama.jll.com.br/olimpiadas-de-londres-um-marco-no-quesito-sustentabilidade/


²http://www.cimentoitambe.com.br/londres-2012-nao-subiu-ao-podio-da-sustentabilidade/


³ http://esportes.terra.com.br/futebol/copa-2014/atraso-nas-obras-ameaca-sustentabilidade-dos-estadios-da-copa-diz-fifa,41c2c37340204410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html


5http://pt.fifa.com/mm/document/fifaworldcup/generic/02/11/18/55/estrategiadesustentabilidadeconceito_portuguese.pdf


Imagens de divulgação


Fontes de pesquisa e sugestão para aprofundamento

DACOSTA, Lamartine; CORRÊA, Dirce; RIZZUTi, Elaine; VILLANO, Bernardo e MIRAGAYA, Ana. Legado de Megaeventos Esportivos. Brasília: Ministério do Esporte


http://esportes.terra.com.br/futebol/copa-2014/fifa-conclui-seminario-sobre-copa-e-sustentabilidade-no-rio,ba987364cfc04410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html


https://www.youtube.com/watch?v=uDkEG-osezc


http://www.copa2014.gov.br/pt-br/tags/sustentabilidade

 


COMENTE ESSA NOVIDADE
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
A Gestão do Esporte na Fábrica de Atletas
A Gestão do Esporte na Fábrica de Atletas
O caminho até os Jogos Olímpicos: considerações sobre legados esportivos
O caminho até os Jogos Olímpicos: considerações sobre legados esportivos
Aspectos do Comportamento Motor: por que o gestor deve estar atento a isto?
Aspectos do Comportamento Motor: por que o gestor deve estar atento a isto?
A questão estrutural que envolve a relação entre as entidades esportivas
A questão estrutural que envolve a relação entre as entidades esportivas
GALERIA

Conheça os Profissionais GestãoEsporte.com

PUBLICAÇÕES
publicado em 29 de junho de 2014
Vol. 4, No 1 (2014) Revista Intercontinental de Gestão Desportiva<< Leia mais >>
publicado em 21 de maio de 2014
Vol. 4 (2014) Suplemento 1: I Congresso Internacional de Responsabilidad Social y Corporativa y Gestión Deportiva<< Leia mais >>
publicado em 23 de janeiro de 2014
Vol. 3 (2013) Suplemento 2: XIV Congresso APOGESD - Da Liderança à Inovação: O Papel do Gestor Desportivo<< Leia mais >>
publicado em 23 de janeiro de 2014
Vol. 3 (2013) Suplemento 1: V Cong. Brasileiro sobre Gestão do Esporte - Gestão do Esporte no Brasil: Vicissitudes, Limites e Formação<< Leia mais >>
Gestão Esporte :: O seu ambiente virtual para discussões esportivas :: Juiz de Fora - MG

(32) 9801-0111

(32) 8707-6229