NOVIDADE

Esporte e Turismo: o potencial simbólico dos Megaeventos Esportivos

14

Nov

2013


Por Leidiane Vieira
E-mail: leidianev.reis@gmail.com

 

 

A prática esportiva sempre esteve atrelada ao Turismo. São inúmeras as formas de intercâmbio entre estas áreas. Os esportes radicais, por exemplo, levam os esportistas a viajarem para lugares que ofereçam condições ideais pra que possam praticar determinadas atividades desportivas. Muitas cidades se tornam foco de passeios turísticos devido a possibilidades que oferecem para práticas esportivas. Até mesmo os campeonatos de futebol de cidades interioranas do Brasil são um estímulo ao Turismo, já que, geralmente, os atletas amadores disputam partidas em outras cidades. Mas, a relação entre esporte e turismo pode ganhar dimensões muito maiores quando nos referimos aos Megaeventos Esportivos.


O pesquisador Reginaldo Aparecido Carneiro, fazendo referência a Andrade (1999), descreve que "o próprio turismo, segundo o sentido atual do termo, teve seus princípios comprovados como turismo desportivo, na Grécia Antiga, no ano 776 a.C., com a realização dos primeiros Jogos Olímpicos." Sem dúvidas, as grandes competições esportivas apresentam potencial ímpar para atrair pessoas provenientes de outras regiões ou países. Nesta perspectiva, os eventos esportivos podem estimular o interesse de estrangeiros por localidades antes desconhecidas por eles. Estas questões estão relacionadas não apenas a fatores econômicos, como também simbólicos.

 

Globalização

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Logicamente, os preparativos de uma cidade ou país para recebimento de uma grande competição esportiva incluem os cuidados em relação à infra-estrutura urbana que deve oferecer condições para acomodação, deslocamento e alimentação aos turistas, dentre outros serviços relacionados ao setor turístico. Reginaldo Carneiro (2000), citando Beni (1998), aponta que "a demanda em turismo é um composto de bens e serviços, e não demanda de simples elementos ou de serviços específicos isoladamente considerados: em suma, são demandados bens e serviços que se complementam entre si." O autor ainda acrescenta que "o gerenciamento de serviços praticado pelas empresas torna-se de fundamental importância como fator contribuinte ao bom desempenho para captação de eventos em uma cidade qualquer."


Este planejamento por parte das cidades ou países que irão sediar megaeventos esportivos não se limita a questões relacionadas à estrutura física, ele também deve incluir as áreas da comunicação, como Publicidade, Marketing e Relações Públicas. Como argumenta Reginaldo Carneiro (2000), "o produto turístico é o conjunto de bens e serviços que envolvem a informação do turista acerca do local a ser visitado."


É indispensável que o turista tenha acesso às informações de seu interesse sobre a nação que visita. Para maior aproveitamento das oportunidades oferecidas em decorrência destes eventos, é recomendável ainda que as informações oferecidas apresentem cunho estratégico, uma vez que elas podem constituir o principal meio a partir do qual a imagem do país será construída no imaginário dos turistas estrangeiros. Os dados fornecidos aos visitantes devem fornecer a imagem positiva que o país pretende deixar em evidência.


De acordo com Katia Rubio (2007), um dos objetivos da Alemanha ao sediar a Copa do Mundo da FIFA em 2006 era de repor o estereótipo de que os alemães eram conformistas, rígidos com o horário, sérios. Os organizadores, governos e a Central Alemã para o Turismo lançaram um conceito de hospitalidade em nome do governo alemão. De acordo com a pesquisadora, "a campanha certamente serviu para melhorar a imagem da Alemanha. De fato, a imagem da Alemanha como um país aberto ao mundo e hospitaleiro mudou como resultado da Copa do Mundo." A autora destaca, desta forma, que "Megaeventos esportivos têm um significado e forma simbólicos tremendos, reposição ou solidificação da imagem da cidade, região e país."

 

Copa de 2006 da Alemanha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Neste sentido, os Megaeventos Esportivos representam uma oportunidade de intercâmbio cultural incomparável. Por meio deles, as nações podem reforçar determinadas projeções imaginárias interligadas a eles, bem como, podem provocar a desconstrução de outras. Fazendo referência a Hohher (1999), Reginaldo Carneiro (2000) enfatiza: "organizar ou sediar eventos tem se tornado uma forma dos países promoverem a sua imagem, de se apresentarem ao mundo e de gerarem lucros para a cidade ou região anfitriã."


Estas questões estão interligadas a identidade que o país visa preservar perante o mundo. Tal imagem deve ser pensada estrategicamente, visto que ela certamente influencia na disposição do estrangeiro em visitar determinada localidade. Basta refletirmos um pouco sobre o grande potencial econômico relacionado ao turismo, para constatarmos a relevância em investir no crescimento desta área. Constata-se que os Megaeventos Esportivos constituem uma oportunidade praticamente inigualável de desenvolvimento do setor.

 

Rio 2016                               

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Será que o Brasil estará preparado para aproveitar a grande oportunidade que será oferecida pela Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016? Seremos capazes de projetar uma identidade positiva de nosso país que impulsione o setor turístico ou reforçaremos os estereótipos que constituem nossa imagem perante o mundo? Qual é a sua opinião com relação a esse assunto, caro leitor (a)?

 

 

 

Referências bibliográficas e sugestões para aprofundamento

 

 

CARNEIRO, Reginaldo Aparecido. Identificação dos comportamentos do turista de eventos esportivos a partir de uma análise dos critérios para avaliação dos serviços turísticos na cidade de Maringá. Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2000. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/78954/178602.pdf?sequence=1

 


RUBIO, Katia. As muitas dimensões do legado de Megaeventos Esportivos. A dimensão multifacetada do legado: do acadêmico ao social. In: Megaeventos esportivos, legado e responsabilidade social. RUBIO Katia (Org.). São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

 


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