NOVIDADE

A Gestão do Esporte na Fábrica de Atletas

29

Ago

2014


Por Luiza  Lourenço

 

Em decorrência da realização de grandes competições no Brasil, as atenções são voltadas para o país e o Esporte entra em pauta. O momento se torna propício para que a prática esportiva seja propagada e ainda, busquem-se reflexões e propostas que possam favorecer a evolução e profissionalização desse elemento capaz de promover o desenvolvimento social.


Um caminho provém de um discurso há muito propagado e que exige o entendimento de sua complexidade: investir na base e planejar o futuro. A introdução da prática esportiva na vida de uma criança deve estar atrelada ao acompanhamento e asseguramento de seu desenvolvimento motor, neurológico e social. O interessante é evitar o imediatismo típico e a cobrança exacerbada, priorizando o desenvolvimento em longo prazo e focando na formação completa do atleta.


Fazendo referência a Almeida (2005), os autores Adamilton Mendes Ramos e Ricardo Lira Rezende Neves (2008) apontam três fases da iniciação esportiva. Entre oito e nove anos o objetivo do treinamento é a aquisição de habilidades motoras e destrezas específicas, alcançadas através de movimentos básicos e de jogos pré-desportivos. Nesta fase, a criança ainda não está apta para o esporte coletivo. Já a etapa entre os 10 e 11 anos de idade é denominada fase do aperfeiçoamento desportivo, nela a criança já experimenta ações baseadas na cooperação e colaboração. Neste caso, o jogo adquire caráter sócio-desportivo. Essa etapa é o período de introdução dos elementos técnicos, táticas e regras através de jogos educativos. E é também o período do desenvolvimento da Maturação Sexual já abordada aqui no portal (clique).


Na terceira e última fase, denominada introdução ao treinamento, a crianças entre 12 e 13 anos conquista significativo desenvolvimento de sua capacidade intelectual e física. Assim, o objetivo desta etapa é o aprimoramento das técnicas individuais, sistemas táticos e aquisição das qualidades físicas necessárias para a prática desportiva. Além disso, é importante valorizar este atleta dando-lhe condições para o aperfeiçoamento de sua carreira, e que isso signifique também a renovação e ampliação de qualidade do esporte no país.


Tomando como exemplo um popular esporte nacional, o Futebol, jornalista Rodrigo de Matos aponta um dado que confronta com essas premissas. Segundo ele, baseado em relatório da Fifa sobre transferência de jogadores de futebol no país desde o início de 2011, o Brasil perdeu 199 atletas abaixo de 20 anos no período entre as Copas de 2010 e de 2014. Do ano de 2011 até o meio de 2014, foram realizadas 5.003 negociações entre idas e vindas de jogadores, resultando um faturamento de US$ 883 milhões (R$ 2 bilhões) aos clubes brasileiros.


O número de jogadores que regressou ao Brasil, entretanto, supera o número daqueles que foram embora, 3.692 contra 2.311, podendo indicar que o Brasil adquire mais talentos ao invés de perdê-los. Entretanto, Rodrigo de Matos alerta que este indicativo pode ser enganoso, uma vez que os atletas que chegam são mais velhos (do meio para o final de suas carreiras) quando os que saem são mais novos. Outra reflexão que pode ser proposta a partir destes dados é se o atleta tem seu ciclo de formação completo, já que muitas vezes ele sai daqui para atuar em times já como profissionais quando ainda deveriam alcançar maturação nas categorias de base.


Para o desenvolvimento do Esporte Olímpico, a preocupação com o período de confirmação do talento e o desenvolvimento do esportista como atleta de nível deve passar também por amparo e apoio junto aos clubes e confederações. Iniciativas como a participação nos Jogos Olímpicos da Juventude merecem incentivo. Neste ano, a delegação brasileira encerrou a sua participação na segunda edição em Nanquim, na China com 15 medalhas, sendo seis de ouro, oito de prata e uma de bronze. Em matéria publicada pelo globoesporte.com, o Comitê Olímpico Brasileiro atribui o avanço na competição aos investimentos realizados nas escolas, passando pelos Jogos Escolares, nos quais foram aplicados R$23 milhões. Outra medida anunciada como legado dos Jogos Olímpicos de 2016 é a utilização de parte das instalações das competições para criar o Centro Olímpico de Treinamento.


O caminho já começa a ser trilhado e a evolução deve partir de uma mudança da mentalidade que pretende focar não apenas no Atleta de Alto Rendimento mas também na sua trajetória esportiva antes de chegar lá e requer, sobretudo, planejamento. Cabe aqui a reflexão sobre como os gestores tem investido em categorias de base e formação de atletas (a chamada fábrica de atletas) nos clubes,nas confederações e também nas aplicações dos conceitos em iniciativas públicas. A Gestão do Esporte necessita da atuação de profissionais de diversas áreas - treinadores, gestores, atletas, nutricionistas, médicos, preparadores físicos, sociólogos, políticos, investidores, entre outras áreas de atuação pertencentes à sua rede de conhecimentos - para assim elaborar um plano capaz de abranger múltiplas necessidades e transformar o panorama esportivo em médio e longo prazo. E, principalmente, encarar o Esporte como elemento modificador da realidade social.


Referências e sugestão para leitura:

http://rodrigomattos.blogosfera.uol.com.br/2014/08/16/brasil-perde-199-jogadores-abaixo-de-20-anos-desde-a-copa-2010/

http://globoesporte.globo.com/jogos-olimpicos-da-juventude/noticia/2014/08/cob-atribui-sucesso-em-nanquim-ao-investimento-no-esporte-estudantil.html

RAMOS, Adamilton Mendes; NEVES, Ricardo Lira Rezende. A iniciação esportiva e a especialização precoce à luz da teoria da complexidade - notas introdutórias. In: Revista PENSAR A PRÁTICA11/1: 1-8, jan./jul. 2008. Disponível em: http://www.revistas.ufg.br/index.php/fef/article/view/1786 Acesso em: 28/08/2014

 


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