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Vol. 4, No 1 (2014) Revista Intercontinental de Gestão Desportiva<< Leia mais >>
publicado em 21 de maio de 2014
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publicado em 23 de janeiro de 2014
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publicado em 23 de janeiro de 2014
Vol. 3 (2013) Suplemento 1: V Cong. Brasileiro sobre Gestão do Esporte - Gestão do Esporte no Brasil: Vicissitudes, Limites e Formação<< Leia mais >>
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Marina TranchitellaMarina Tranchitella


Choque no Triathlon - Gerenciamento de risco

Foi noticiada a morte do triatleta Tiago Pereira, de 28 anos, na prova que ocorreu esse final de semana em Brasília. A prova denominada Ironman Brasil, consiste em percorrer 1.9 km de natação, 90.1 km de ciclismo e 21.1 km, exigindo condicionamento físico e dedicação a uma rotina de treinos e a uma nutrição balanceada, em outras palavras, não é prova para qualquer atleta.


Tendo estudado gerenciamento de riscos em eventos, acredito que tudo deva ser apurado com cautela, e não se deve apontar culpados antes de realmente ter o laudo dos peritos. Até o momento a mídia expôs diferentes explicações para o falecimento:


- o atleta já estava convulsionando antes mesmo de entrar contato com a estrutura que conduzia eletricidade;


- o atleta já estava infartando durante a prova;


- o atleta morreu por parada cardíaca devido ao choque;

Segurança impede entrada de curiosos em local onde triatleta sofreu choque elétrico após competição em Brasília (Foto: Isabella Formiga/G1)


A polícia está investigando o caso, já tendo realizado duas perícias, uma no local e outra no corpo do atleta. A empresa organizadora Latin Sports colocou em seu site um esclarecimento (vide abaixo).

 

Obviamente que muitos ficaram indignados com a situação, alguns comentários relatam que a organização já havia sido informada de que a estrutura estava conduzindo eletricidade, outros relatam a demora no atendimento mesmo tendo ambulância próxima à vítima enfim, como sempre tudo fica muito obscuro logo após a acontecimentos desse porte.


Justamente por isso que devemos gerir os riscos, de modo a planejar respostas, respeitando o famoso jargão "melhor prevenir do que remediar". Sob minha ótica, se o atleta já estava convulsionando ou infartando no momento que levou o choque é um ponto a ser considerado quanto à causa do óbito, pois familiares e amigos desejam saber. Mas quanto à organização entendo que se a estrutura estava a conduzir eletricidade de modo não previsto, isso já pode ser considerada uma negligência, que pode ter ocasionado sua consequência máxima: a morte de uma pessoa.


Até que se prove o contrário acredito na seriedade do trabalho realizado pela Latin Sports, pois pude adentrar um pouco do que é realizado em seus eventos durante meu mestrado. Não venho aqui em defesa à empresa, que já se manifestou e se prontificou, mas sim para alertar que de fato pouco, ou nada, ainda é explorado quanto ao gerenciamento de riscos em um evento esportivo.


Suponhamos que não houvesse ocorrido o choque (fato que chamou a atenção das mídias), caso o atleta tivesse realmente sofrido uma parada cardíaca, se não existissem médicos, suporte (materiais), rotas de fuga e hospitais avisados sobre o evento, pouco surtiria efeito qualquer tentativa de reanimação. Se no caso o atleta Tiago Pereira foi atendido prontamente, se havia contrato com os médicos, se a ambulância estava equipada tudo será apurado pela polícia. Minha questão recai sobre quantos mais terão de falecer para os produtores se atentarem que gerenciar riscos não é mero detalhe.


Mesmo tendo estudado eventos de corrida de rua na cidade de São Paulo, é notória a carência de um planejamento quanto ao gerenciamento de riscos em diferentes eventos do Brasil como um todo. Deixo aqui o meu apelo por uma maior estruturação dessa área e também minhas condolências à família da vítima.



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1) Triatleta morre após concluir prova em Brasília. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/160412-triatleta-morre-apos-concluir-prova-em-brasilia.shtml

2) Atleta morre após o Ironman 70.3 Brasília por choque elétrico. Disponível em: http://www.mundotri.com.br/2014/04/atleta-morre-apos-o-ironman-70-3-brasilia-por-choque-eletrico/


3) Triatleta morre após levar choque em estande de competição em Brasília. Disponível em: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/04/triatleta-morre-apos-levar-choque-em-estande-de-competicao-em-brasilia.html


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http://coisasquefiznavida.blogspot.com.br/2012/04/iornman-brasil-2012.html


Marina Tranchitella é mestre em Gestão do Esporte, membro do GEPAE-USP e da AIGD. Escreve todas as quartas no blog sobre temáticas relacionadas à Gestão de Eventos Esportivos, Projetos e Riscos.

 

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ACADEMIA x MERCADO: A importância da rede entre Universidade e Empresa

A complexidade da conjuntura do mercado atual é um fato inconteste. A competitividade e a eficiência são, por assim dizer, os elementos que explicam e impulsionam cotidianamente qualquer setor do mercado, exigindo cada vez mais ações empreendedoras de caráter essencialmente inovador. Tal cenário leva a crer que as empresas, de diferentes portes e áreas de atuação, tenham sua sobrevivência no mercado atrelada a uma nova lógica, qual seja, das parcerias.


Sem desconsiderar infinitas possibilidades de parceria, o interesse aqui recai sobre o crescente estreitamento entre universidades e empresas. O binômio "academia versus mercado" ganha cada vez mais espaço em encontros, mesas-redonda e fóruns. Muito se questiona sobre a dificuldade de interação entre esses dois mundos, dificuldade que também se estende ao campo da Gestão Esportiva. Ora, até que ponto um trabalho acadêmico interessa ao mercado? Essa é a questão chave! O mercado somente deixará de resistir ao trabalho acadêmico, quando for visível sua aplicabilidade. Embora, ainda hoje caiba em grande parte aos acadêmicos o trabalho de demonstrar o quão mais eficaz o mercado pode se tornar tendo a academia como parceira, uma vez que há entre esses dois pólos um espaço possível de interação, sobretudo no que diz respeito ao processo de produção de conhecimentos.


Trata-se, portanto, de um caminho muito eficiente para que a relação teoria e prática se atualize de modo ágil, seja pelo que as universidades representam em termos da produção de conhecimento científico, seja pelo que as empresas, ao tomar como referência e fazer uso desse conhecimento científico podem confirmá-lo ou infirmá-lo, além de contribuírem para seus próprios conhecimentos, gerados pela atuação na prática cotidiana do mercado, favorecendo o próprio avanço das universidades.


Iniciativas como essas, de parceria entre Universidade e Empresas, já são conhecidas e realizadas na forma de Empresas Juniores e Incubadoras. A primeira é uma associação civil sem fins lucrativos e com fins educacionais, que proporciona ao estudante aplicação prática dos conhecimentos teóricos relativos à sua formação, e a segunda, consiste em programas de assistência à micro e pequenas empresas em fase inicial, como meio de viabilizar projetos, criando novos processos, produtos ou serviços. Em ambas, a prestação de serviços às empresas é um fator preponderante.


O Prêmio Jovem Cientista realizado no Brasil é um exemplo real do que escrevo nesse texto. Ele surgiu, segundo seu site, com os objetivos de estimular a pesquisa, revelar talentos e investir em estudantes e jovens pesquisadores que buscam alternativas para os problemas brasileiros. Portanto, parece-nos claro que a solução é fugir do óbvio e ser criativo com as temáticas de pesquisas, levando avante a humanidade. Afinal, esse é o papel da ciência, o interesse do mercado e, com certeza, o sucesso do pesquisador.


O esporte é detentor de uma vantagem em relação a outras áreas, quase que em sua totalidade possuí uma relação íntima com a emoção daqueles que o fazem, de forma participante ou espectadora, e, portanto, deverá saber aproveitar essa vantagem no âmbito do empreendedorismo, seja nas empresas juniores ou nas incubadoras. Como por exemplo, um estudo que se proponha a analisar o perfil de atletas de uma modalidade esportiva ou do seu consumidor poderá mostrar ao mercado algum dado que tenha influência no seu nicho, como uma possível vantagem competitiva em ganho de patrocínio, por adquirir através do estudo, um domínio maior do seu público-alvo.


Em suma, a parceria entre universidades e empresas é uma via de dupla-mão, cujos interesses se fundem na busca de um equilíbrio entre aquilo que já se sabe, aquilo que se pode inovar e, fundamentalmente, naquilo que é viável dentro da complexidade de um mercado altamente globalizado e exigente. Um intercâmbio desse porte seguramente agrega maior produtividade, ações inteligentes e assertivas, além de maior rentabilidade.


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É capaz um evento popularizar um esporte?

Torneios como o Rio Open e o Brasil Open estão avivando o cenário esportivo nesses dias. E qual a importância disso para o Brasil?


Rafael Nadal consagrou-se campeão da primeira edição do Rio Open, encerrado nesse domingo. O maior torneio de tênis já realizado no Brasil e maior também da América do Sul. Reuniu grandes nomes do circuito masculino e feminino para a disputa simultânea de um ATP 500 e um WTA International.


Nesse momento ocorre o Brasil Open, que a partir de 2012 teve sua sede alterada para a cidade de São Paulo. Apesar de ser um ATP 250, o Brasil Open foi o responsável por trazer de volta ao país um torneio ATP pontuando no circuito internacional de Tênis, o evento ocorre desde 2001.


Para compreenderem melhor onde quero chegar, a ATP apresenta cinco categorias de torneios de tênis: Grand Slams, ATP World Tour Masters 1000, ATP World Tour 500 Series, ATP World Tour 250 Series e Challengers. Com relação ao feminino a partir de 2009 os torneios da WTA passaram a ser divididos em também cinco categorias, de acordo com a premiação, sendo o WTA International um deles.


Hoje o Brasil possuí dois torneios ATP (250 e 500) e um WTA International. Isso significa um grande avanço para o país. De acordo com o campeão do ATP 500, a organização do evento foi impecável e o país pode encarar o desafio de sediar um ATP 1000. Será possível que esses torneios popularizem o tênis?


O tênis sempre foi visto como esporte de elite, mas acredito que é possível popularizá-lo, ainda mais se houver exposição midiática. E é nesse aspecto que o evento vem agregar. Todo evento tem intenção de atrair público, patrocinadores, visibilidade. Portanto, parece ser um caminho plausível popularizar um esporte através de eventos que se repetem ao longo dos anos.


Fazendo uma comparação com o MMA que se popularizou devido aos eventos, e que agora ganha até escolinhas. Sem discutir a questão se é ou não adequado ensinar essa modalidade para as crianças, o fato é que foi através de eventos e exposição na mídia que o esporte caiu no gosto do povo.


Desde o ano 2000, o ex-jogador de Tênis Guga fundou o IGK - Instituto Gustavo Kuerten, um projeto social para disseminar o Tênis. Sem diminuir de modo algum o feito pelo ex-jogador, acredito que podemos ir além de projetos sociais. Inseri-lo no meio escolar, por exemplo, seria uma ótima oportunidade de valorizar e dar visibilidade a essa modalidade.


De modo geral a popularização do Tênis traria mais do que benefícios de atletas para o país, mas também uma cultura de assistir a um esporte de um modo diferente ao Futebol, Vôlei, etc. O Tênis é peculiar não só pelos atores dentro da quadra como também pelo ambiente que o envolve.

 


Obviamente que muitos se lembram da fase de Maria Esther Bueno, Guga e Meligeni, agora é a vez de Teliana, Bruno Souza, Bellucci, Feijão... E por que não a chance de muitos outros?


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1) Rio Open pode ser o novo Guga no Brasil. Disponível em: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2014/02/24/rio-open-pode-ser-o-novo-guga-no-brasil/


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www.rioopen.com


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Degelo um problema mundial e também de Sochi, será?

Os Jogos de Sochi vem chamando atenção em um quesito nada comum por ser uma Olimpíada de Inverno: as altas temperaturas. Se elas continuarem as Olimpíadas de Sochi serão as mais quentes de todos os tempos.


A neve começou a ficar fofa e escassa, pontos de vegetação e pedra puderam ser notados nesses dias de competição. Sob a ótica do Gerenciamento de Riscos o fator climático deve ser gerido com toda cautela, mas nesses jogos, de acordo com a organização, a falta de neve não é um fator surpresa.


De fato, parece que Sochi estava preparada para o fator climático. Foram pensadas desde técnicas aparentemente bem simples como espalhar sal pelas pistas para evitar o degelo, até a colocação de neve artificial e neve estocada do inverno passado.


Ironicamente, a neve natural poderia ser um inimigo depois que o percurso está pronto, pois daria muito trabalho limpá-la, como colocou o chefe executivo para a segurança do nível de neve em Sochi, o finlandês Mikko Martikainen.


Mesmo com todas as medidas de segurança elaboradas pela organização, treinos foram cancelados, algumas provas foram antecipadas e mesmo assim atletas sofreram quedas em alguns pontos críticos do percurso, como na prova de qualificação do Cross Country.


Se você pretende organizar um evento, mesmo que não seja na neve, o fator climático deve ser um dos fatores a se gerenciar. Altas temperaturas, condições de chuva, vento e umidade afetam de modo variado as diferentes modalidades. No caso de Sochi, a organização está parecendo bem ciente quanto à falta de neve e os meios para gerenciar esse que poderia ser um problema.


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1) Jogos de Inverno de Sochi podem ser os mais quentes de todos os tempos. Disponível em: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/02/jogos-de-inverno-de-sochi-podem-ser-os-mais-quentes-de-todos-os-tempos.html


2) Temperatura alta segue gerando problemas nos Jogos de Inverno. Disponível em: http://www.lancenet.com.br/minuto/Temperatura-problemas-Jogos-Inverno-Sochi_0_1084091644.html


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http://www.surtoolimpico.com.br/2013/12/meteorologistas-estao-otimistas-para.html


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Importação de atletas: uma solução ou um problema?

 

Em uma reportagem apresentada pelo Esporte Espetacular no último domingo - 02/02/2014 - foi colocado em questão a transição de atletas de modalidades olímpicas de Verão para as de Inverno. O tema é polêmico e abrange riscos em diferentes dimensões.


Riscos envolvendo o próprio atleta como pode ser visto com o acidente de Lais Souza, quando treinava na modalidade de Ski Livre Aéreo para as Jogos Olímpicos de Sochi, que começa ainda essa semana, dia 06 e perdurará até 23 de Fevereiro de 2014. Podemos ainda citar outros nomes que também tiveram uma curta, quase inexistente, carreira nas modalidades de inverno, como Claudinei Quirino, que em 2006 participou e sofreu um acidente durante os Jogos de Turim, na modalidade bobsled, na qual o atleta participa em equipes de duas ou quatro pessoas por meio de um trenó, com descidas em uma pista de gelo sinuosa podendo atingir velocidades de até 150 km/h.


A questão que levantamos é: até que ponto esses atletas conseguem de fato traspor a especificidade de uma modalidade? Treinamento,envolve além das capacidades físicas, muita técnica.


No caso de Lais Souza, os defensores dessa importação garantem que a plasticidade , elasticidade e noção tridimensional são fatores que favorecem essa transição para a modalidade do Ski Livre Aéreo. Por outro lado, temos os não defensores que garantem que a modalidades de inverno exigem adaptação ao clima, experiência e maturidade que dificilmente são conseguidas de modo rápido.



Quanto a essa importação, confesso não ter uma opinião formada. Acredito que cada esporte tem sim sua especificidade, muito embora, acredite em grupos de modalidade que respeitam certa similaridade, podendo fornecer uma aprendizagem mais rápida daqueles que migram intragrupo. Fazendo uma metáfora, é como aprender línguas, depois que se aprende de modo fluente uma, fica muito mais fácil compreender outras e assimilá-las, desde de que respeitemos os grupos, aqui definidos pela sua origem Latim, Grega ou ainda Egípcia.


O grande "x" da questão a meu ver é o modo como essa transição é realizada. Se para uma modalidade que o(a) atleta já está familiarizado(a) ele(a) treina durante todo o ciclo olímpico, quanto tempo ele(a) levaria para assimilar e estar pronto para competir em uma modalidade de inverno? Claro que isso é uma resposta muito individual de cada atleta, mas em uma média esperamos que o planejamento respeite pelo menos um ciclo olímpico, ou seja, 04 anos.


O maior erro no caso do treinamento da atleta Lais Souza foi realizar um planejamento de curto prazo. A decisão do Brasil de enviar atletas para os Jogos Olímpicos com cerca de oito meses desde o início do esporte, foi muito prematura. Até podemos classificar como uma fatalidade o acidente ocorrido, mas considero que houve também um pouco de precipitação.


E outro ponto, que me incomoda muito nas falas que se ouvem no meio esportivo é: deu certo em outros países como Austrália, China, Canadá e Estados Unidos, por que aqui não daria certo? A discussão é densa, e não é nosso intuito aqui nos aprofundar nesse quesito, mas se pensarmos na estrutura do esporte nesses países quiçá, já poderíamos encontrar algumas boas explicações do porque lá as transições são mais bem sucedidas que as nossas.


A importação é saudável desde que feita com preparação. Quase todas as modalidades dos Jogos Olímpicos de Inverno implicam em mais riscos do que as modalidades de verão, e caso a transação for nesse sentido, toda cautela é pouca.


Até quando vai ter de acontecer uma tragédia para se pensar nos riscos que uma modalidade esportiva pode oferecer. Gerir é prever e, prever, envolve os riscos. Deixo aqui todo meu apoio à atleta Lais Souza estimando sua recuperação o mais breve e plena possível.


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1) Acidente de Lais gera discussão sobre 'importação' de atletas para a neve. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2014/02/acidente-de-lais-gera-discussao-sobre-importacao-de-atletas-para-neve.html


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rederecord.r7.com e 
globoesporte.globo.com


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Tudo ao contrário!

 

Esse post está diretamente relacionado a eventos esportivos, acadêmicos e a seus planejamentos. Tudo ao contrário foi o título que melhor encontrei para expressar meu sentimento ao ler a notícia que foi divulgada no último dia 28 de Janeiro no Estadão.com: "Capes pede que comunidade acadêmica evite eventos nas cidades da Copa".


"Hãn"? É isso mesmo? Isso procede? Pois é, de fato, a Capes pede que durante a realização da Copa do Mundo (12 de Junho a 13 de Julho) a comunidade acadêmica evite apresentar propostas para a realização de eventos nas cidades-sede. A alegação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior é de que haverá altos preços de passagens áreas e de hospedagem. O comunicado pode ser lido na íntegra na imagem abaixo.

 

 

 

 

A recomendação é referente ao Programa de Apoio a Eventos no País (PAEP), destinado a impulsionar a realização de encontros científicos no Brasil e à formação de professores para a educação básica, concedendo auxílio financeiro às comissões organizadoras.


O fato é que o tema é polêmico. De acordo com um site de Belo Horizonte, mestres e doutores se manifestaram nas redes sociais, com dizeres como: "Vai ter Copa, mas não vai ter pesquisa". Embora, tudo seja sempre questão de ponto de vista, a meu ver a Capes foi infeliz no seu pronunciamento, preferindo não ter "dor de cabeça" e pretendendo se isentar da responsabilidade de realizar eventos acadêmicos durante a Copa do Mundo.



Não estou cega aos preços abusivos que a rede hoteleira diz praticar nesse período, tão pouco ignoro o fato de a logística ser mais densa. Mas a questão que coloco é da oportunidade. Será uma grande oportunidade de atrair pessoas de todos os tipos para o nosso país e, por que não, acadêmicos?



Dentro da minha lógica eventos acadêmicos somente agregariam valor ao evento esportivo Copa do Mundo de Futebol. Não vejo concorrência, pelo contrário seria mais um motivo para as pessoas investirem e virem ao Brasil. Sempre quando viajo (com alto custo de investimento) procuro agregar além de diversão/ócio algo produtivo e construtivo, mas parece que a Capes não tem a mesma visão.



E você leitor, é acadêmico? Achou um absurdo ou achou que a medida procede? Comente aqui.




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1) Capes quer evitar eventos durante a Copa, para driblar os custos. Disponível em: http://oglobo.globo.com/educacao/capes-quer-evitar-eventos-durante-copa-para-driblar-os-custos-11418417


2) Capes pede que comunidade acadêmica evite eventos nas cidades da Copa. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/vida,capes-pede-que-comunidade-academica-evite-eventos-nas-cidades-da-copa,1123909,0.htm

3) Comunicado da Capes gera polêmica entre mestres e doutores. Disponível em: http://www.em.com.br/app/noticia/especiais/educacao/2014/01/28/internas_educacao,492397/comunicado-da-capes-gera-polemica-entre-mestres-e-doutores.shtml


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www.pph.uem.br


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E o calor está de matar! Risco à vista!

Você já imaginou planejar todo um evento com jogos sequenciais e ter de adiar as partidas não pelo fator chuva mas sim pelo calor? Os produtores do Austrália Open estão passando por essa experiência. Alucinação de jogador alegando ter visto o personagem Snoopy, torcedor fritando o ovo na arquibancada e mais de um desmaio foram cenas peculiares que se passaram no Aberto da Austrália.


Nessa última semana pudemos acompanhar o calor extremo que atingiu de maneira geral jogadores, espectadores e inclusive os jogos. As condições climáticas se tornam riscos paupáveis em diferentes eventos e gerenciar faz parte da qualidade do mesmo, muito embora gerenciar riscos ainda pareça ser algo nebuloso para muitos organizadores.


Nove tenistas (oito homens e uma mulher) abandonaram partidas na primeira rodada da chave principal. As reclamações à organização do torneio por parte do jogadores foi alta, pedindo mudanças na programação do torneio. Por outro lado, dois grandes nomes do Tênis masculino, Roger Federer e Novak Djokovic possuem opiniões que divergem da maioria, alegando que o calor é o mesmo para ambos jogadores, que os atletas deveriam buscar soluções para enfrentar a alta temperatura e que faz parte da preparação física e mental do atleta ser afetado, ou não, por esse fator climático.



A Sport Science do canal ESPN explica, através do vídeo abaixo, como o calor escaldante está influenciando no torneio.


(Vídeo com tradução na referência 1)

 


Apesar das críticas dos tenistas, a organização do Aberto da Austrália não prevê alterações na programação, além das medidas já tomadas como fechamento do teto retrátil, interrupção de jogos, adiamento de partidas e fornecimento de sacos de gelos. Através de um vídeo que traz declarações de dirigentes e jogadores sobre o calor de Melbourne, a organização garante que médicos se encontram no local e que a paralisação das partidas só deve acontecer se for do entendimento dos doutores.


Respeitando os relatos de Roger Federer e Novak Djokovic, dois feras do tênis, e diante de uma competição conceituada, isto é, só participa do aberto quem possui boa qualificação, entendo também que nem todos os atletas possuem o nível de preparação física e mental que recebem os grandes tenistas supracitados.


É compreensível que a percepção de calor seja de fato subjetiva e dependente da preparação, mas acredito que desmaios e alucinações não fazem parte de um contexto de esporte espetáculo. A grande questão é que sempre me parece que é preciso uma catástrofe para se colocarem em práticas medidas de segurança, acredito que os acontecimentos em Melbourne já são fatores suficientes e, em minha opinião, é melhor a organização se atentar seriamente ao fator climático, antes que o calor "seja de matar".

 

 


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1) Calor do Australian Open arrebenta corpos e influencia o jogo dentro da quadra; Sport Science analisa. Disponível em: http://www.espn.com.br/video/382684_calor-do-australian-open-arrebenta-corpos-e-influencia-o-jogo-dentro-da-quadra-sport-science-analisaTeliana Pereira: a número 1 do tênis no Brasil.


2) Organização do Aberto da Austrália atende pedidos e adia jogos por calor. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/tenis/noticia/2014/01/organizacao-do-aberto-da-australia-atende-pedidos-e-adia-jogos-por-calor.html


3) Calor gera alucinação, e Aberto da Austrália tem desistências recordes. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/tenis/noticia/2014/01/calor-gera-alucinacao-e-aberto-da-australia-tem-desistencias-recordes.html

 

 

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Esporte x Suporte

Gostaria de começar esse post desejando um excelente ano de 2014 a todos os leitores do Portal gestaoesporte.com, e que consigamos cada vez mais profissionalizar a gestão do esporte em nosso país.


E é justamente a profissionalização, ou melhor, a falta dela que abordo nesse primeiro post. Siga o raciocínio.


Salta aos olhos dos admiradores do Tênis a desenvoltura que a atleta Teliana Pereira vem demonstrando nos últimos tempos. Conquistas honrosas fazem parte da trajetória dessa jovem atleta, medalha de bronze nos jogos de duplas no Pan em 2007 e a mais recentemente conquista de uma vaga em um Grand Slam, feito que não ocorria há 20 anos no Tênis feminino Brasileiro.


Sem dúvida, potencial e força de vontade não são exatamente fatores que carecem na história da menina alagoana que conheceu o Tênis por acaso. Somos um país deveras grande, e estamos acostumados a ouvir histórias de sucesso de pessoas que nasceram e cresceram em regiões de baixo IDH, esse não é mais um fator mais supreendente, não é mesmo? O que mais nos chama a atenção é mais uma vez a escassez de aporte financeiro e estrutural que atletas desse nível recebem em nosso país.


A menina prodígio é apoiada pela Fundação Little Dreams, mantida pelo cantor inglês Phil Collins, tendo como padrinhos Roger Federer e Amelie Mauresmo. Entretando em 2012, a brasileira rompeu com a Confederação Brasileira de Tênis (CBT). De acordo com o site uol esportes "A alegação foi falta de comprometimento da atleta, mas a origem do problema era o local de treinamento. Os cartolas desejavam que ela trabalhasse na academia de Larri Passos, em Santa Catarina".


Até quando nosso esporte vai ser amador? Até quando nossos atletas terão de buscar aporte fora do país? Até quando vamos nos vangloriar de "feitos já feitos", isto é, nos vangloriar de vitórias das quais não partilhamos do caminho para a conquista?


Quando falamos em falta de gestão "no" e "do" esporte é, por exemplo, em aspectos como esse. A questão que reflito não é até quando a melhor atleta de Tênis rankeada do país vai precisar de apoio internacional, mas sim, até quando ela vai fica sem apoio nacional. Outros atletas, como no caso da natação, seguem o mesmo percurso, fazendo o desenvolvimento de seus treinos no exterior.


Uma gestão do esporte polida exige atenção ao esporte de base e constante suporte até níveis profissionais. É compreensível que dizer isso seja mais fácil do que executar, mas que caminho seguir senão esse?






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1) Apoiada por Phil Collins, tenista brasileira supera lesões e quebra tabu. Disponível em: http://esporte.uol.com.br/tenis/ultimas-noticias/2014/01/13/apoiada-por-phil-collins-tenista-brasileira-supera-lesoes-e-quebra-tabu.htm


2) Teliana Pereira: a número 1 do tênis no Brasil. Disponível em: http://www.foxsports.com.br/noticias/90963-teliana-pereira-a-numero-1-do-tenis-no-brasil



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Futebol e a falta de gerenciamento do risco

A situação mais comentada na semana, sem dúvida, foi quanto ao jogo Atlético-PR x Vasco. Comentado, infelizmente, não por ter sido uma grande exibição do esporte em si, mas sim pela falta de gestão e por cenas de selvageria. Confesso que dentre os meus estudos analisando a gestão do risco no esporte, o futebol nunca foi um dos meus focos, mas acredito que diante de tal situação fica quase impossível não me posicionar.

 

 

Um dos fatores que mais me chama a atenção, independentemente do esporte-espetáculo que se decorre, é de que sempre que há algum problema, ocorre quase que simultaneamente um empurra-empurra da responsabilidade. Isso é a pura demonstração de atitudes que revelam uma gestão esportiva muito aquém da efetiva e necessária preocupação com os riscos. Definir as responsabilidades de cada entidade em um evento esportivo é primordial - ainda mais em se tratando de um campeonato que se repete anualmente - e em tese ela deve ocorrer no pré-evento, implicando controle e monitoramento constantes.


A mídia expôs o ocorrido, os jornais comentaram, as imagens provavelmente rodaram o mundo juntamente com os dizeres: "...esse é o país da Copa". Mas, e o que foi feito? Como colocou Erich Beting: "O problema é que essas imagens não são novidade há pelo menos 20 anos no país que se orgulha de ser "do futebol" e único pentacampeão do mundo" (1).


Há um despreparo na gestão do esporte como um todo, e a gestão do risco ganha destaque frente as desgraças que ocorreram e ocorrem. Somos cientes, obviamente, de que o esporte, manifestado aqui pelo futebol, é apenas um cenário para que a sociedade se manifeste, sendo a violência um reflexo social de outros cenários. Mas para gerenciar o todo, temos de gerenciar as partes, e por que não começar pelo esporte?


Os clubes são responsáveis pelo comportamento de suas torcidas dentro dos estádios de futebol, relata Flávio Zveiter, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (2). Tal informação nos parece bastante clara, e não gera dúvidas quanto à divisão da responsabilidade do ocorrido no último dia 08 de Dezembro. Punir, talvez não seja a melhor forma de educar, mas sem dúvida, pode ser eficaz quando o assunto é segurança. A questão que se coloca agora é de que forma punir, alcançando o objetivo de coibir tais ações no futuro. Eu pergunto a você, leitor, se mandos de jogo e multas são suficientes?Penso que punir de maneira construtiva, para além de corretiva, demanda também esforço por parte dos que autuam.


Construir coletivamente uma gestão do esporte é tarefa árdua, punir por punir, gerando um sistema de "se pago estou livre" ou mesmo ainda colocando a responsabilidade nos torcedores são saídas que considero pobres, do mesmo modo que combater a violência com violência também é pobre. Pobres pois não enriquecem e não atuam em prol da gestão de um esporte-espetáculo saudável.


O torcedor é só a ponta do iceberg, ele carrega sim uma responsabilidade, ainda mais quando há relatos como o exposto no site da principal torcida organizada do Atlético-PR, de que não se venderia ingressos para mulheres e menores de idade, "devido ao alto risco de confrontos na estrada, em consequência do grande número de torcedores de clubes rivais que estarão se deslocando para os jogos da última rodada" (3).


Enquanto houver mentalidade como essas o esporte fica involucrado no passado. As últimas notícias veiculadas pela mídia trazem a informação de que o Vasco entrará com ação para conseguir os pontos do jogo, alegando que havia "falta de garantia", e relatando que o tempo máximo estabelecido para paralizações pela CBF não foi respeitado (4).


Mudar esse cenário esportivo exige planejamento e profissionalismo. Profissionalismo, no sentido exato de seu antagônico, amadorismo, fator que atrasa em muito a gestão do esporte no Brasil. Para melhorar tal situação os jogadores de futebol se uniram e criaram esse ano o Bom Senso F.C. que tem como slogan "Bom Senso F.C., por um futebol melhor para quem joga, para quem torce, para quem transmite e para quem patrocina." Para além dessa manifestação dos jogadores uma saída que me parece muito plausível e que cada dia mais acercar-se da realidade é a aproximação entre a academia e o mercado. Provas disso são os acordos firmados entre ESPM e Corinthians FC, e, mais recentemente, Trevisan e Santos FC.

 

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1) Negócios do Esporte. Até quando? Blog Erich Beting. Disponível em: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/

 

2) Globoesporte.com. Presidente do STJD: Atlético-PR e Vasco podem dividir culpa por briga. Disponível em: http://sportv.globo.com/site/programas/troca-de-passes/noticia/2013/12/presidente-do-stjd-atletico-pr-e-vasco-podem-dividir-culpa-por-briga.html

 

3) Globoesporte.com. Briga generalizada de torcidas deixa quatro feridos na Arena Joinville. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2013/12/briga-na-arquibancada-paralisa-jogo-entre-furacao-e-vasco.html

 


4) Globoesporte.com. Vasco entra nesta terça com ação para levar pontos de jogo de Joinville. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2013/12/vasco-entra-na-terca-com-acao-para-ganhar-pontos-do-jogo-de-joinville.html

 


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http://www.aovascotudo.com/site/?p=130180


Marina Tranchitella é mestre em Gestão do Esporte, membro do GEPAE-USP e da AIGD. Escreve todas as quartas no blog sobre temáticas relacionadas à Gestão de Eventos Esportivos, Projetos e Riscos.

 

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Evento esportivo e doping, devemos ou não coibir?

 

O tema da semana no Portal GestãoEsporte.com é o DOPING e as diferentes visões pelas áreas de conhecimento. Se você deseja saber sobre os possíveis tipos de recursos ergogênicos acesse o post do Me. Gustavo Lucas (acesse aqui) e ainda se deseja entender a relção entre doping e memória muscular veja o post do Drando. Gabriel Trajano (acesse aqui).


Em minha postagem hoje me coube a missão de tratar o doping na visão dos eventos esportivos e do risco. Pois bem, pesquisando o doping como risco na organização de um evento esportivo, acabamos por ser levados a discutir aspectos legais dessa temática. Não tenho formação em Direito e meu intuito aqui não é discutir a legislação em nosso país, mas sim provocar se devemos ou não coibir o doping e, se sim, quais seriam as maneiras de gerenciá-lo dentro de um evento esportivo.

 

 

 

 

 

O primeiro fator que sempre me vem à cabeça quando falamos em gerenciar sistemas anti-dopagem, independentemente do país ou evento esportivo, é de que ele é um sistema sempre corretivo e não preventivo, em outras palavras, primeiro existe o doping e depois um meio para bani-lo, mesmo porque nenhum atleta usa do doping pensando em ser descorberto.


E então, como prever? Parece existir uma questão a ser pensanda, assim como só existe uma vacina para o vírus que foi diagnosticado, só existe uma solução para um problema pré-existente, só se gerencia o risco outrora identificado. É um tanto quanto irreal portanto tentar descobrir que tipo de doping os atletas poderão usufruir em 2030, e tão irreal quanto isso é tentar ignorar o fato de que ele existe e continuará existindo. Estabelecer punições independentemente de que tipo de doping será praticado parece ser uma saída.


Em alguns países como Itália e Alemanha o doping é considerado crime, e a forma de gerenciá-lo é "simples": quem o comete corre o risco de ser preso. Aqui no Brasil não existe nenhum legislação quanto ao doping. Alaor Leite é um dos autores do livro "Doping e Direito Penal" e considera complicado tornar o esporte um assunto policial. Para Paulo César Busato, procurador de Justiça e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), "pensar que a criminalização poderá evitar casos de doping é uma completa ilusão".


Há hoje no senado brasileiro um projeto de lei que define crimes e infrações administrativas com vistas a incrementar a segurança da Copa do Mundo de Futebol de 2014. O grande "x da questão" desse projeto é que o doping que eles pretendem coibir, é o doping nocivo, aquele que prejudica o desempenho do atleta.


Nos questionamos em que competição um atleta faz uso de doping para prejudicar seu próprio desempenho? Me parece infrutífero seguir com um projeto de lei nesses contextos, ainda mais quando o conceito de nocivo já é discutível.


Em minha compreensão há duas possibilidades:


i) entender o doping como uma forma de "trapaça", sendo assim gerenciá-lo no sentido de banir seria a única solução, e aí acredito que talvez o sistema de punição ao atleta, banindo-o do esporte, como já é realizado seja uma alternativa, ou ainda, considerando o doping como delito econômico, como coloca Alaor Leite, "O doping viola as regras de lealdade de concorrência e é sancionado especificamente no esporte em razão dos grandes interesses econômicos nele envolvidos";


ii) aceitar o doping como uma possibilidade no esporte, isto é, permitir a utlização de diferentes recursos ergogênicos (permitidos ou não) realizando eventos esportivos específicos nos quais todas as formas de vantagens sejam aceitas e liberadas na hora de competir.


O tema ainda é bastante nebuloso mas vem sendo bastante discutido por conta dos grandes eventos esportivos que o Brasil vai sediar. É difícil chegar a uma conclusão, ainda mais quando pensamos em outros aspectos nos quais o doping resvala, como:


i) esporte de alto rendimento e saúde caminham em direções opostas;

ii) recursos, além dos ergogênicos, como financeiros e de infra-estrutura também podem prover vantagens há alguns atletas em detrimento de outros;

iii) ou ainda, a questão de que atletas podem ser ídolos e referência para crianças.


Deu para perceber a complexidade quando se fala em doping, não é mesmo? E você leitor o que acha desse tema? Devemos ou não coibir tais ações?

 

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CBAT. A responsabilidade do Atleta e dos treinadores perante questões relacionadas ao Doping no desporto. Disponível em: http://www.cbat.org.br/anad/responsabilidades.asp


Gazetadopovo. Doping deve se tornar crime? Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/justica-direito/conteudo.phtml?id=1409741


PLS - PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 728 de 2011. Disponível em: http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=103652

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http://www.cartoonmovement.com/cartoon/7210

http://blogs.jovempan.uol.com.br/pedaladas/tag/doping/page/5/

 

 

 

Marina Tranchitella é mestre em Gestão do Esporte, membro do GEPAE-USP e da AIGD. Escreve todas as quartas no blog sobre temáticas relacionadas à Gestão de Eventos Esportivos, Projetos e Riscos.

 

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Quantas fases tem um evento esportivo?

De fato, depois de muito pesquisar, cheguei à conclusão de que não há um consenso quanto ao número de fases de um evento esportivo.


De acordo com Giacaglia (2004) o evento é composto por duas fases: planejamento e avaliação; já Andrade (2002) acrescenta mais uma fase: planejamento, realização e avaliação. Matias (2004) corrobora com esse autor, no entanto, nomeia as três fases de: pré-evento, o per ou o transevento e o pós-evento. Brighenti et al. (2005) acrescentam, como primeira fase a da concepção da ideia, dividindo o evento em quatro fases: ideia/concepção (a canditatura), planejamento/organização, exploração/execução e encerramento/avaliação. Ferrand (1995) e Parent et al. (1999) acordam com essas quatro fases descritas e acreditam que temporalmente elas vão diminuindo até o dia do evento propriamente dito, sendo a realização a fase mais curta de todo o processo.


Sanz (2003) refere que desde o momento que se pensa na realização de um evento até a sua realização podem existir seis fases, além de contemplar uma posterior à celebração do evento. Deste modo contemplar-se-iam sete fases: fase preliminar, fase de apresentação de candidatura, fase de concepção e formação do comitê organizador, fase de planificação, fase de execução do programa, fase de realização do evento, e, por último, fase de encerramento.


Para facilitar a visualização coloca as fases supracitadas nesse quadro abaixo.

 

 

Em suma estamos de acordo com Britto e Fontes (2002) que afirmam que todos os eventos não deixam de passar pelas mesmas fases básicas, embora possam ser organizados de maneira diferente e possuírem características próprias.


Se você se interessa por essa temática, não deixe de conferir na próxima quarta-feira, na qual vamos adentrar e detalhar cada fase das que consideramos fazer parte de um evento esportivo: concepção, planejamento, implementação, monitoramento e avaliação.

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Referências e sugestão de aprofundamento


Andrade, R. B. (2002). Manual de eventos (2ª ed.). Caxias do Sul: EDUCS.


Brighenti, O., Clivaz, C., Délétroz, N., & Favre, N. (2005). Sports event network for tourism and economic development of the Alpine Space: from initial idea to success: a guide to bidding for sports events for politicians administrators. Lausanne: Sentendalp Consortium.


Britto, J., & Fontes, N. (2002). Estratégias para evento: uma ótica do marketing e do turismo. São Paulo: Aleph.


Ferrand, A. (1995). Organisation des événements sportifs - Document préparatoire. Module 5. Master Européen de Management des Organisations Sportives. Paris.


Giacaglia, M. C. (2004). Organização de eventos: teoria e prática. São Paulo: Thomson


Parent, F., Dias, P., & Vidal, A. (1999). Como organizar um evento desportivo. 1º Workshop em Gestão do Desporto - Manual de apoio. Maia: ISMAI.


Sanz, V. (2003). Organización y géstion de actividades deportivas: Los grandes eventos. Barcelona.


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http://www.gazetaesportiva.net/noticia/2012/07/olimpiadas-de-2012/grupo-de-ciclistas-e-preso-nos-arredores-do-estadio-olimpico.html

 

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Gerenciamento de Riscos!

Como havia prometido no meu último post, hoje nessa quarta-feira, venho aprofundar com vocês sobre o gerenciamento de riscos.

 

O risco é inerente a qualquer atividade na vida pessoal, profissional ou nas organizações, e pode envolver perdas, bem como oportunidades. No contexto de perda, parece-nos sempre muito claro que ele esteja inserido, embora no contexto de oportunidade isso muitas vezes pareça nebuloso. Um exemplo, que facilita a compreensão e, que me agrada muito, é com relação ao câmbio de moedas estrangeiras, esse câmbio pode favorecer alguns países em detrimento de outros.

 

Mas o que de fato importa e gostaria de falar nesse post, não é o risco em si, mas sobre o seu gerenciamento. E aqui, relato um passo fundamental para aqueles que desejam gerenciá-lo em seus projetos, empresa, negócios, etc. Para facilitar o gerenciamento, os riscos devem ser agrupados, e mais, devem ser agrupados de acordo com a sua causa e não com seu efeito, pois em grande maioria a causa  é uma, mas o efeito resvala em diferentes questões.



Pode-se seguir um roteiro simples para o gerenciamento de riscos, tais procedimentos podem ser encontrados no guia PMBOK - Project Management Body of Knowledge(2008), que o entende como o acompanhamento e monitoramento dos riscos identificados e a identificação e planejamento de resposta a novos riscos do projeto.

 

Exponho também a divisão de Reis e Albuquerque (2004), muito próxima da fornecida pelo Guia PMBOK, que dividem em dois grandes processos: 

 

- Análise de riscos: identificação, avaliação, análise qualitativa e análise quantitativa dos riscos.


- Gestão de riscos: formulação de medidas de proteção contra os riscos, monitoramento e controle dos riscos.

 

Embora exista o gerenciamento de riscos, sempre há uma desculpa para não o fazer. De modo exímio Salles Jr. et al. (2010) descontroem vários paradigmas sobre o não gerenciamento dos riscos, provando que são falsos e frutos da nossa cultura tradicional de não gerenciar riscos, e são claros ao dizer que devemos quebrar o ciclo vicioso de: "Não fazemos o gerenciamento de riscos porque não temos histórico, e não temos histórico porque não fazemos o gerenciamento de riscos".

 

 

tabela

Quadro 1. Desconstrução dos paradigmas, Fonte: Salles Jr. Et al (2010, p. 39)

 

 

A opção pelo não gerenciamento de riscos, ainda que seja um caminho possível, tem dado evidên¬cias de que não é o mais seguro para o êxito de qualquer projeto. Dessa forma podemos concluir que o gerenciamento de riscos é peça decisiva para realizar com sucesso o quebra-cabeça dos projetos; e optar por não fazê-lo significa comprometer com consentimento os resultados dos mesmos.

 

 


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Referências e sugestão de aprofundamento

 

Reis, A.F.D.; e Albuquerque, A.R.P.L.D. (2004). O estado da arte gerenciamento de riscos em projetos. Comunicação apresentada em XI SIMPEP.

 

PMBOK, P. M. I. (2008). Um guia do conhecimento em gerenciameno de projetos (Guia PMBOK) (4ª ed.). Atlanta, EUA: Project Management Institute.

 

Salles Jr., C. A. C., Soler Mazini, A., Santos do Valle, J. A., & Rabechini Junior, R. (Eds.). (2010). Gerenciamento de riscos em projetos (2ª ed.). Rio de Janeiro: FGV Editora.

 


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http://www.spalife.com.br/blog/juros-baixos-quite-dividas-e-saia-do-vermelho/

 

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Gerenciamento do fogo... ops!do risco.

Diferentes chamadas puderam ser lidas nessa última sexta-feira (08/11/2013) com relação ao incêndio que atingiu a Academia Smart Fit na cidade de São Paulo.

 


"Academia onde fogo começou não tinha alvará" - Site da Veja SP

"Fogo começou no 2º piso de academia aberta havia uma semana" - Site Globo.com

"Prefeitura pode ser culpada por fogo em academia" - Site Brasil247.com

 


Nossa postagem não tem como intuito investigar a culpa do ocorrido, quem será o indenizado e quem arcará com o prejuízo, mas sim de compartilhar uma visão quanto à importância do gerenciamento de riscos.

 

Durante meu mestrado pude me aprofundar na temática sobre o gerenciamento de riscos em eventos esportivos. Tal aprofundamento me deu base para questionar muito além dos eventos, pude perceber que há ainda uma grande nebulosidade quanto a se fazer ou não o gerenciamento de riscos em diferentes ambientes.

 

Mas o que é de fato gerenciar riscos? Vale mesmo à pena? De acordo com Barreau (2001) gerir é prever.


Colocamos aqui dois pontos que foram levantados nesses sites supracitados:

 

1) As matérias relataram o fato de que a academia não tinha alvará de funcionamento e não tinha o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), e o prédio residencial também não tinha documentação regularizada. Os bombeiros acrescentaram ainda que o local abrigava um cinema e que diversas mudanças teriam que ser feitas para regularizar o imóvel nessa nova planta.

 

Gerenciar é mais do que documentar - as documentações, licitações e alvarás podem e devem fazer parte do gerenciamento de riscos, mas não é de forma alguma o próprio gerenciamento do risco.

 

 

2)Também foi relatado que esse caso seria mais um exemplo da falta de fiscalização em obras e estabelecimentos comerciais na cidade, que seguem com uma segurança inadequada porque a prefeitura não tem estrutura para coibir as irregularidades.

 

Fiscalizar às vezes... gerenciar sempre! - A fiscalização é um dever da prefeitura e, não a realizando, ela poderá arcar com as responsabilidades dessa inadimplência, esse é um ponto. Mas o ponto que queremos destacar é de que independentemente de uma fiscalização, o empreendedor deve ter a clara importância da necessidade do gerenciamento de riscos para o seu negócio.

 

De fato, o risco é inerente a qualquer atividade na vida pessoal, profissional ou nas organizações, e pode envolver perdas, bem como oportunidades. O gerenciamento de riscos se propõe a ser um instrumento capaz de aumentar as possibilidades de sucesso, seus benefícios devem ser vistos sob forma de um processo que agrega valor e qualidade à organização.

 

Vale ressaltar que se conscientizar de todas as medidas possíveis para responder aos riscos não garante que eles não ocorram.

 

Falta determinar se a situação da academia provocou ou facilitou o alastramento das chamas, ainda se busca uma causa plausível. A questão é que um gerenciamento de riscos escasso e uma falha fiscalização geraram um desastre que teve prejuízos em diferentes dimensões: i) o bloqueio nas avenidas que rondeavam o local, prejudicando o fluxo local por alguns dias; ii) o nome da rede de academias, que sem dúvidas ficará manchado, mesmo disponibilizando outras unidades para usufruto dos seus sócios; iii) o prejuízo financeiro estimado pela academia, que atinge a casa dos 4 milhões; iv) e as vidas que foram afetadas, sem podermos aqui atribuir um valor estimado.

 

Para os novos empreendedores fica a lição de que, por muitas vezes, uma pequena economia financeira, pode causar um prejuízo muito mais profundo em um futuro não tão distante. Sem julgar a gestão que foi feita na academia, o fato é de que ela se incendiou com apenas uma semana de funcionamento. Quando pensarem em um negócio, pensem em tudo, um seguro somente cumprirá o seu papel, se você gestor também cumprir o seu, estando regular com a documentação necessária e gerenciando os riscos eminientes.

 

 

Se você leitor gostaria de saber mais sobre o gerenciamento de riscos, nos acompanhe, na próxima postagem falarei mais detalhadamente sobre ele.

 


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Sugestão de aprofundamento


Barreau, G. (2001). Gestão de risco na organização de eventos desportivos. Seminário internacional de gestão de eventos desportivos. Lisboa: Ministério da Juventude e do Desporto. Centro de estudos e formação desportiva.

 

Referências

 

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/11/fogo-comecou-no-segundo-piso-de-academia-inaugurada-ha-uma-semana.html

 

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/academia-onde-fogo-comecou-nao-tinha-alvara

 

http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/120291/

 

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http://veja.abril.com.br/multimidia/galeria-fotos/slideshow/incendio-no-centro-de-sao-paulo-2013

 

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Venda de ingressos para a Copa 2014: uma leitura do cenário

A primeira fase de vendas de ingressos para a Copa do Mundo de 2014 foi muito noticiada em diferentes meios de comunicação por revelar que os brasileiros foram os maiores contemplados, ficando com 71,5% dos ingressos.

Por relatar uma faceta de um megaevento esportivo, estou eu aqui para refletir junto com vocês sobre esse cenário que tende a se concretizar em Julho de 2014. Antes, porém, de iniciar essa discussão, coloco aqui um parênteses para expor, em números, tal polêmica:

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O site o Portal da Copa 2014 relata o número de ingressos pedidos e o número de vendas efetivadas por país, para o Mundial do Brasil.

 

tabela 1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ainda de acordo com a FIFA, nessa primeia fase, 188 países concorriam aos 889.305 ingressos para a Copa do Mundo do Brasil. A título de comparação com outras edições, em 2006 na Alemanha foram 652.521 ingressos comercializados, também na primeira fase e, em 2010 na Copa da África do Sul, 381.559.

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Retomando nossa discussão, levantamos o fato de que apesar de 71,5 % dos ingressos terem sido destinados a brasileiros, esse percentual contempla apenas 10% do que foi solicitado pela população do país sede. Atentamos, aqui, para o fato de que o método utilizado foi o de sorteio eletrônico e, levando em conta o número de brasileiros inscritos superar de modo exponencial a de outros países, não se pode considerar uma surpresa que mais de 70% dos sorteados correspondam a brasileiros.

 

Quanto à idoneidade do sorteio, Thierry Weil, diretor de marketing da FIFA e responsável pela emissão de ingressos, garante que foi um processo justo e relata que foi supervisionado pela Caixa Econômica Federal e pelo Ministério do Esporte, assim como por um tabelião em Manchester, na Inglaterra. Sorteio é sorteio, sempre ouvimos essa frase, e ironia do destino ou não, a Argentina foi o país com menor taxa de conversão, apenas 1,7%, episódio que também foi noticiado pelo site Portal da Copa 2014.

 

É notório que esse Mundial já é distinto de outros, a começar pelo número de ingresso solicitado. Mas será essa a única diferença?

 

Voltemos ao caso dos ingressos, vamos explorar esse acontecimento de forma a utilizar uma ferramenta bastante disseminada e conhecida: a análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities y Threats, em língua inglesa). Isto é, quais seriam as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças caso se mantenha um perfil de mais de 70% de brasileiros durante os jogos da Copa do Mundo de 2014.

 

Forças e fraquezas são entendidas como pontos fortes e fracos, respectivamente ligadas a um cenário interno, que já são fatos consumados e que estão sob o comando do país. Já, por outro lado, oportunidades e ameaças estão relacionadas a um cenário externo no qual o país não está no comando e no qual não há certeza de que irão se consumar.

 

FORÇAS (Strenghts)
• Animação do público brasileiro durante os jogos
• Garantia de que uma parcela da população, que dificilmente teria condições, assista a um jogo, ou mais, da Copa do Mundo de 2014

 

FRAQUEZAS (Weaknesses)
• Comportamento geralmente indaquedo dos brasileiros em eventos futebolísitcos, gerando uma imagem negativa do país em nível internacional
• Gerenciamento do hábito cultural do brasileiro em querer sempre levar vantagem e criar manobras para burlar as regras (Lei de Gérson)

 

OPORTUNIDADES (Oppotunities)
• Oportunidade de gerenciar melhor a segurança, considerando a pequena presença de estrangeiros, tendo em conta que a população local já conhece os riscos
• Melhorar a imagem do país, proporcionando confiança da população quanto à organização de megaeventos

 

AMEAÇAS (Threats)
• Comprometimento do setor de Turismo como um todo
• Gerenciamento de dificuldades econômico/financeiras com possibilidade de fechamento de portas no mercado internacional

 

A venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2014 ainda conta com outras fases (quadro abaixo). Sendo que há ainda uma segunda comercialização de ingressos ainda na primeira fase, agora sim por ondem de encomenda, que ocorrerá entre os dias 11 e 28 de Novembro, distribuindo 228.959 ingressos, embora nessa fase não seja disponibilizado ingressos para o jogo de abertura em São Paulo, para a final no Maracanã e para alguns outros jogos específicos.

 

tabela 2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E você leitor, acredita que os brasileiros serão a maioria? Aposta em qual cenário? Concorda com essa análise SWOT?

 


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Sugestão de aprofundamento

Jaime Álvarez de la Torre, Diego Rodríguez-Toubes Muñiz (2013). Riesgo y percepción en el desarrollo de la imagen turística de Brasil ante los mega-eventos desportivos. Revista de Turismo y Patrimonio Cultural. Vol. 11 Nº 3. Special Issue. págs. 147-154. 2013

 

Referências

 

http://www.portal2014.org.br/noticias/12485/COM+APENAS+17+DOS+INGRESSOS+ARGENTINOS+CRITICAM+DIVISAO+DA+FIFA.html

http://pt.fifa.com/worldcup/organisation/ticketing/news/newsid=2218432/index.html

 

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http://ceara2014.com/noticias/linha-do-tempo-entenda-como-a-copa-vem-sendo-construida-no-brasil/

 

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O evento esportivo na "embalagem" projeto

 

Sempre ouvimos dizer em diversas palestras que, tão importante quanto o conteúdo é a embalagem do produto. Pois bem, hoje venho aqui falar de um tema o qual gosto bastante: o evento esportivo como projeto.

 

Os projetos estão implícitos no cotidiano, seja na vida profissional, social ou pessoal. Cada vez mais as empresas trabalham em projetos ao invés de atividades rotineiras, isso porque tem se notado que desse modo agrega-se mais valor ao produto/serviço e consegue-se melhor posição em um mercado cada vez mais instável e competitivo. 

 

E é nesse contexto também que se enquandram os eventos esportivos. Como colocam Carvalho e Rabechini, em seu livro Fundamentos em Gestão de Projetos:

 

"Sediaremos uma copa do mundo e uma olimpíada. Para tanto, nos comprometemos a concluir, em curto prazo, os projetos propostos, sem desperdício de recursos públicos, em um país que ainda tem muitas demandas sociais que concorrem por esses recursos. Nesse contexto, há demanda de grande refinamento das metodologias de gerenciamento de projetos para tratar da complexidade inerente a esse tipo de projeto, caracterizado por equipes multidisciplinares de grande porte, podendo envolver milhares de pessoas de organização distintas, dispersas geograficamente. O orçamento não raro passa da casa dos milhões."

 

Esse notório crescimento do número e da importância dos eventos esportivos faz com que seja imprescindível uma profissionalização do seu gerenciamento. E trago aqui esse questionamento, pois acredito entusiasticamente que se pode gerir um evento esportivo como projeto, isso porque, há similaridade entre as fases do ciclo de vida de um projeto e as fases de um evento esportivo, assim como o modo de gerenciar um evento é semelhante aos grupos de processos de um projeto.

 

 

Evento

Esportivo

Projeto

(PMBOK 2008)

Concepção

Iniciação

Planejamento

Planejamento

Implementação

Execução

Monitoramento

Monitoramento e controle

Avaliação

Encerramento

Comparação entre as fases de um evento esportivo e um projeto segundo o Guia PMBOK 2008

 

 

Foi durante a década de 1990 que se consolidaram os principais guias de conhecimentos em gerenciamento de projetos.

 

1)    PMBOK- Project management Body of Knowledge, proposto pelo Project Management Institute (PMI), o mais difundido no Brasil e no mundo, conhecido como abordagem americana.

 

2)    ICB - IPMA Competence Baseline, elaborado pela Internacional Project Management Association (IPMA), conhecido como a abordagem europeia de Gestão de Projetos.

 

De forma geral, todas as organizações vivem de projetos, mesmo aquelas cujo produto final não seja gerado por projeto. No mesmo livro que citei acima, é referenciado que as atividades inteligentes de projetos são responsáveis por 25% do PIB mundial, o que representa algo em torno de US$ 10 trilhões, segundo informações do Project Management Institute (PMI®), entidade americana com 35 anos de existência, voltada à disseminação das práticas e certificadora em gerenciamento de projetos, estimando-se que ao redor do mundo 16,5 milhões de trabalhadores estejam envolvidos com atividades de projetos.

 

Na era do conhecimento em que vivemos fica claro que são os projetos que mais adicionam valor aos produtos e serviços. O gerenciamento de projetos vem sendo utilizado de forma profissional, visando contribuir com as empresas para que consigam resultados melhores. A própria LIE - Lei de Incentivo ao Esporte exige o formato de projeto para os proponentes, e coloca  projeto desportivo como:

 

 

"o conjunto de ações organizadas e sistematizadas por entidades de natureza esportiva, destinado à implementação, à prática, ao ensino, ao estudo, à pesquisa e ao desenvolvimento do desporto, atendendo apelo menos uma das manifestações desportivas previstas no art. 4º."

Decreto nº 6.180 de 03 de Agosto de 2007

 

 

 Precisamos urgentemente profissionalizar a Gestão do Esporte, e um bom começo é organziando-a na forma de projetos. Esses, por conseguinte vão nos fornecer ferramentas, técnicas e indicadores para avaliarmos nosso trabalho e crescimento, nos direcionado com mais segurança que caminho trilhar, e aumentando a possibilidade de sucesso.

 

Gostou? Quer comentar? Utilize o espaço abaixo pelo Facebook, ou entre em contato com a autora pelo e-mail mtranchitella@gestaoesporte.com e pelo Twitter @Ma_Tranchitella

 

 

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Referências e sugestões de aprofundamento:

 

  • Carvalho, M.M. e Rabechini Jr., R. Fundamentos em Gestão de Projetos: construindo competências para gerenciar projetos. 3ªed (2011). São Paulo: Atlas.
  • PMBOK, P.M.I. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK). 4ªed (2008). Atlanta, EUA: Project Management Institute.
  • LIE -Lei do Incentivo ao Esporte. Acesso em http://www.esporte.gov.br/arquivos/leiIncentivoEsporte/cartilhaGrafica.pdf

 

 

Foto banner:  http://pejota.net/2010/11/gerenciamento-de-projetos-e-destaque-no-jornal-diario-da-manha/

 

 

 

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O esporte "às avessas"

Arthur Zanetti

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na última sexta-feira (18/10/2013) saiu no site do Ministério do Esporte uma matéria que abordou a preocupação que ronda a gestão da ginástica no Brasil. Eu, por ter sido praticante de Ginástica Olímpica, não de maneira competitiva, mas sim recreativa, tenho minha paixão por esse esporte e interesse em acompanhar seu desenvolvimento. Não por acaso, a reportagem saltou aos meus olhos.

 

O secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, em reunião com o campeão olímpico e mundial das argolas Arthur Zanetti, relatou: "Percebemos que existe um hiato entre o grau de desenvolvimento dos ginastas brasileiros, que estão alcançando patamares muito elevados, e a dificuldade da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) de prover os serviços e o atendimento adequado aos atletas no padrão de qualidade requerido".

 

O que me parece é que o esporte está "às avessas", primeiro temos atletas que lutam por vitória e estabilidade com recursos mínimos, tais como estruturais, financeiros, psicológicos, humanos, entre outros; e em segundo, isto é, posteriormente, temos um país que valoriza esse atleta pelo seu destaque e êxito nas competições, e percebe a necessidade de fortalecer a base desse esporte.

 

É notório o potencial dos atletas da ginastica nas competições internacionais, mais ainda quando se coloca que Arthur Zanetti será o quarto ginasta a dar nome a um elemento para o código de pontuação da Federação Internacional de Ginástica (FIG).

 

Diante desse cenário me vieram vários questionamentos: Quantos atletas mais irão ter de passar por essa trajetória desgastante para o seu esporte ser valorizado?  Até quando irá ocorrer essa inversão de cronologia? É esse o país que pretende formar atletas de base para os Jogos de 2016?


A sensação é de que está visível a todos a falta de gestão não só da CBG, mas sim do esporte brasileiro como um todo. De fato, como colocou o secretário, percebemos que existe um hiato e, perceber, é o primeiro passo para uma gestão mais sólida, agora é necessário periodizar além dos treinamentos, periodizar as metas, gerir os recursos e planejar o desenvolvimento do atleta e do esporte no Brasil.

 

De acordo com a reportagem, o Ministério do Esporte se comprometeu em construir um novo ginásio em São Caetano do Sul, cidade que projetou Zanetti como atleta, ficamos felizes por ele e pela confederação de ginástica que só tem a ganhar com essas ações, mas para um país que sediará os Jogos Olímpicos, é imperativa a necessidade de  pensar com mais gestão no processo de formação desses atletas. Afinal gerir é também saber a hora de agir.

 

 

 

email:mtranchitella@gestaoesporte.com

twitter: @Ma_Tranchitella

 

 

Fonte: Ministério do Esporte - Notícias - Breno Barros http://www.esporte.gov.br/ascom/noticiaDetalhe.jsp?idnoticia=11309

 

Foto Matéria e Banner: AFP PHOTO/ John Thys  http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/esporte/2013/10/05/arthur-zanetti-confirma-favoritismo-e-conquista-titulo-mundial-na-antuerpia.htm

 

 

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Minha relação com "essa tal" Gestão do Esporte

Acredito que a melhor forma de inaugurar esse portal é expressando como cheguei até aqui e de que forma minhas motivações e propósitos me levaram a estar hoje nessa empreitada.


Minha compreensão do campo da Gestão do Esporte foi aguçada quando, ainda na minha graduação, deparei-me com meus 20 e poucos anos perguntando o porquê de um curso de Educação Física não ter em seu plano pedagógico a área da Gestão do Esporte.


Fazendo parte da primeira turma do curso de Educação Física da Universidade Federal de São Paulo- UNIFESP, sentia certa corresponsabilidade na construção daquele curso que, em minha concepção, deveria abordar a área da Gestão da mesma forma que abordava outras áreas, como a Nutrição, por exemplo. Nosso curso sempre teve o foco voltado para a área da saúde e, para mim, não cabia melhor justificativa do que a Gestão do Sistema Público de Saúde - SUS - como exemplo perfeito para "escancarar" a imperativa necessidade da área de Gestão em nossa graduação, ainda que mais sob a ótica da saúde do que do esporte. Estava convicta de que cada vez mais era óbvia a necessidade de buscar esse conhecimento.


Hoje a faculdade conta com uma disciplina de Gestão e Organização em Educação Física e Saúde, e me parece que a grande maioria das áreas de conhecimento já está ou irá caminhar no sentido de perceber a Gestão do Esporte de forma benéfica.


Pois bem, mas não vim aqui apresentar o plano pedagógico de minha faculdade, que aqui me reporto somente com a intenção de exemplificar. O objetivo é relatar de que forma pretendemos trilhar uma identidade em nosso portal. Até porque depois de estudar mais profundamente a área de Gestão do Esporte, acredito que essa não deva ser tão somente um componente de uma matriz curricular, mas sim ganhar o status de ser um curso de graduação específico, questão que será abordada com maior profundidade no portal.


Nosso intuito aqui é trazer a prática ao meio acadêmico e a academia ao mundo prático. Ansiamos por interagir com os leitores do nosso portal GestãoEsporte.com, desejando veementemente que esse seja um espaço de difusão de conhecimentos extremamente proveitoso.


Eu estarei toda quarta-feira com vocês, abordando temáticas como: eventos esportivos, gerenciamento de projetos, gerenciamento de riscos, ferramentas, técnicas e indicadores de desempenho no esporte, comunicação esportiva e de forma geral a consolidação da Gestão do Esporte no Brasil.
Nos vemos por aqui!

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