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Vol. 4, No 1 (2014) Revista Intercontinental de Gestão Desportiva<< Leia mais >>
publicado em 21 de maio de 2014
Vol. 4 (2014) Suplemento 1: I Congresso Internacional de Responsabilidad Social y Corporativa y Gestión Deportiva<< Leia mais >>
publicado em 23 de janeiro de 2014
Vol. 3 (2013) Suplemento 2: XIV Congresso APOGESD - Da Liderança à Inovação: O Papel do Gestor Desportivo<< Leia mais >>
publicado em 23 de janeiro de 2014
Vol. 3 (2013) Suplemento 1: V Cong. Brasileiro sobre Gestão do Esporte - Gestão do Esporte no Brasil: Vicissitudes, Limites e Formação<< Leia mais >>
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Gustavo LucasGustavo Lucas


Exame médico pré-participação

 

Você é sedentário e quer começar a praticar alguma atividade física? Você pratica atividade física regular e tem mais de 35 anos? Você pratica atividade física regular de alta intensidade em busca de rendimento esportivo? Você é atleta profissional ou de alto rendimento? Se você respondeu sim a uma dessas quatro perguntas, você precisa procurar um médico especialista (médico do esporte ou cardiologista do esporte) e passar por uma Avaliação pré-participação (APP), nome dado ao exame médico prévio à prática de uma atividade física.

 

APP
AVALIAÇÃO PRÉ-PARTICIPAÇÃO


 


Nos últimos anos assistimos uma profunda ampliação e melhoria dos conhecimentos no âmbito científico sobre a atividade física, o exercício físico e o esporte. Foram confirmados muitos dos efeitos benéficos atribuídos ao exercício físico na saúde da população. Hoje em dia se considera a prática regular de atividade física como pilar fundamental no conjunto de um estilo de vida saudável, contribuindo tanto na promoção da saúde quanto na prevenção de doenças.


Estima-se que uns 20 milhões de adultos e mais de 14 milhões de jovens americanos pratiquem exercício físico e esporte. No Brasil, segundo dados de 2009 do Ministério da Saúde, o número de praticantes chega a 16,4% da população, sendo que em 2008 esse valor era de 14,9%. Esse aumento implica um maior número de lesões, doenças e eventos fatais (morte súbita) que podem ocorrer durante essa prática.

 

analogia


O exame médico ou Avaliação pré-participação (APP) se propõe como ferramenta que contribui com a redução do risco e o aumento da segurança durante a prática do exercício para que ele não funcione como um gatilho capaz de desencadear eventos graves, como a morte súbita. É recomendável a todos os indivíduos praticantes de atividade física, exercício físico de caráter não competitivo ou esporte competitivo.


COMPONENTES

 

- Musculoesquelético: ênfase na prevenção de lesões.

- Funcionais: testes específicos conforme a modalidade esportiva (composição corporal, potência aeróbica e anaeróbica, flexibilidade, força e resistência muscular.

- Clínicos: avaliação clínica, cardiológica e nutricional (se necessário, com exames complementares).


OBJETIVOS


- Recopilar informação de referência para o futuro.

- Identificar condições clínicas que possam prejudicar o desempenho.

- Determinar se existem contraindicações à participação.

- Detectar predisposições à lesão, como lesões prévias por programas de condicionamento não apropriados.

- Cumprir com obrigações legais.

- Triagem para morte súbita cardíaca.

- Avaliar e aconselhar sobre alimentação e suplementação.

- Avaliação clínica e funcional do atleta.


Do ponto de vista legal, ainda não está estabelecido no Brasil se a APP é obrigatória ou não, com que periodicidade deve ser feita e qual o tipo de avaliação. O que existem são leis locais (municipais) que tentam regular essa prática. A falta de uma legislação nacional sobre o assunto continua sendo um obstáculo para criação de um modelo nacional de APP.

 

Em 2004, depois da morte de alguns jogadores de futebol (vide Serginho do São Caetano) um grupo técnico foi criado pelo Ministério da Saúde para discutir normas e medidas para prevenir a morte súbita no esporte. Nada foi publicado até hoje sobre o assunto. O que existem são diretrizes da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), onde se recomenda que a APP, em seu nível mais básico (anamnese + exame físico + eletrocardiograma) deve ser realizada em todos os indivíduos que pratiquem exercícios ou esportes. Dependendo do indivíduo avaliado e dos seus objetivos, outros exames complementares podem ser desejáveis ou obrigatórios.

 

teste de esforço
Fonte: www.clubatleticodemadrid.com

 

 

 

Qual é a sua opinião? Opine, fomente o debate! Utilize o espaço abaixo pelo Facebook, ou entre em contato com o autor pelo e-mail glucas@gestaoesporte.com e pelo Twitter @drgulucas.

 

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Referências Bibliográficas e sugestões de leitura:


Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Manual de Medicina do esporte: Do problema ao diagnóstico. 1ª edição. São Paulo: Atheneu, 2009.

 

Segovia JC, López-Silvarey FJ, Legido JC. Manual de Valoración Funcional: aspectos clínicos e fisiológicos. 2ª edición. Madrid: Elsevier, 2007.

 

Ghorayeb N., Costa R.V.C., Castro I., Daher D.J., Oliveira Filho J.A., Oliveira M.A.B. et al. Diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Arq Bras Cardiol. 2013;100(1Supl.2):1-41

 

Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Diretriz sobre morte súbita no exercício e no esporte. Rev Bras Med Esporte 2005; 11(supl 1): S1-8.



 

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Mitos da atividade física e do esporte (II)

 

Nesse post continuamos com os mitos, as lendas e as falsas verdades do esporte. Quem nunca pensou que aquela dorzinha muscular depois da atividade física fosse causada pelo ácido lático? Pois é, vamos a desmitificá-lo.

 

 

Matéria Gustavo
fonte: www.heattrick.com

 

 

 

DOR MUSCULAR DE INICIO TARDIO (DMIT)


É aquela caracterizada como uma sensação de desconforto e/ou dor na musculatura esquelética, que ocorre geralmente após 8 horas do exercício realizado e que aumenta sua intensidade nas primeiras 24 horas, podendo chegar a 72 horas de desconforto. É a lesão muscular mais frequente no esporte, apesar de não aparecer nas estatísticas de lesões dos departamentos de Ortopedia e de Medicina Esportiva, já que interferem muito pouco no rendimento do atleta, não causam o afastamento de sua atividade, não oferecem gravidade, são de duração autolimitada e de rápida recuperação. As microlesões produzidas pelos exercícios excêntricos são as principais causadoras da DMIT no músculo esquelético, e não o ácido lático, como muita gente imagina. Essa crença popular se baseia em uma hipotética cristalização do ácido lático devido a um trabalho físico intenso e de caráter anaeróbico, sendo a dor atribuída ao atrito desses cristais com o músculo em movimento. Contra essa teoria existem os seguintes argumentos:


  • O ácido lático não se cristaliza a temperaturas compatíveis com a vida;

 

  • Nenhum estudo evidenciou a presença de cristais em biópsias musculares;

 

  • Exercícios sem produção de lactato também podem favorecer a DMIT;

 

  • A presença excessiva de ácido lático provoca dor aguda, não tardia;

 

  • O ácido lático se reutiliza de forma rápida pelo organismo porque é um bom substrato energético (seu acúmulo não é significativo aos 30 minutos de haver terminado o exercício).


Conhecida em inglês como DOMS (Delayed Onset Muscular Soreness), a dor muscular tardia se deve a um mecanismo de adaptação ao exercício onde, depois de um estresse sobre o tecido muscular (micro-rupturas), ocorre um processo inflamatório e uma posterior regeneração, reconstituindo a arquitetura normal do músculo. Esses sucessivos processos de degeneração-regeneração, com o tempo, deixariam menos fibras frágeis (não adaptadas) para as posteriores sessões de exercício. A diminuição dessas microlesões pós-treino não eliminariam totalmente essas fibras frágeis, mas sim criaria um estímulo suficientemente intenso para que aumentasse sua capacidade de sofrer uma lesão, ou seja, um episódio de DMIT ofereceria um efeito de proteção ao músculo, onde sessões posteriores seriam menos severas que as precedentes.


Apesar de se tratar de uma lesão muscular muito frequente, ainda não podemos afirmar que exista um tratamento fisioterápico com validez demonstrada. Sem dúvida o melhor tratamento é a prevenção por meio de uma progressão adequada na realização dos exercícios excêntricos que as produzem. O uso de medicação anti-inflamatória também não está fundamentado, já que existem estudos afirmando que a DMIT não apresenta um padrão inflamatório habitual. Para aliviar os sintomas, se o paciente refere muita dor, o tratamento idôneo seria com analgésicos comuns, gelo local para limitar o edema e massagem ou drenagem linfática. Qualquer outro tipo de terapia carece de comprovação científica.

 

no pain no gain
fonte: nexxtlevelup.com


 

 

 

Em futuros posts seguiremos contanto outras lendas ou mitos do exercício físico. E você, conhece algum? Opine, fomente o debate! Utilize o espaço abaixo pelo Facebook, ou entre em contato com o autor pelo e-mail glucas@gestaoesporte.com e pelo Twitter @drgulucas.



Referências Bibliográficas e sugestões de leitura:


Balius R, Drobnic F, Casals D. Cicatrices fibrosas. En: Balius, R. Patología muscular en el deporte. Barcelona: Masson, 2005;99-102.


 

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Mitos da atividade física e do esporte

 

MITOS DA ATIVIDADE FÍSICA E DO ESPORTE


Sabe aquela mentira contada com argumentos tão fortes que acaba virando verdade absoluta? Aquela pessoa ou coisa a qual se atribui qualidades ou excelências que não a possui ou uma realidade da qual carece? Pois é, são os mitos, as lendas ou as falsas verdades e o esporte está cheio deles, principalmente quando relacionados à medicina e à saúde do atleta. Trataremos de desmitificá-los.

 

DAT

fonte: ciclosdeporte.wordpress.com

 

DOR ABDOMINAL TRANSITÓRIA RELACIONADA AO EXERCÍCIO


Um dos mitos mais conhecidos é sobre aquela famosa "pontada" ou dor abdominal lateral, que aparece abaixo das costelas depois de alguns minutos após iniciar uma atividade física (principalmente durante a corrida), que pode te obrigar a parar essa atividade e que melhora com um breve repouso e respiração regrada. Em português e espanhol é conhecida pela sigla DAT, já em inglês, ETAP (Exercise-related Transient Abdominal Pain).


Há inúmeras teorias sobre a causa e todo mundo já escutou falar de alguma delas: respirar pela boca, câimbra no diafragma, estresse dos ligamentos subdiafragmáticos, estase venosa na circulação abdominal, dor no próprio peritônio (membrana que recobre o intestino) por fricção, excesso de líquido ingerido, etc. Mas apesar da sua alta incidência em atletas, da sua aparição estar associada à queda do rendimento físico e do crescente interesse científico pelo assunto, ainda existem poucos estudos de qualidade que averiguam as causas e propõem as soluções. As conclusões dos principais estudos são:


  • Existe uma relação inversa entre o nível de forma física e o risco de padecer DAT;
  • A ingestão de bebidas hipertônicas (alto conteúdo de carbohidratos), previamente ou durante o exercício, é um claro fator de risco. Bebidas isotônicas apresentam menos risco que a água.
  • A capacidade pulmonar e a função inspiratória não se veem afetadas em um episódio de DAT, ou seja, o diafragma não está diretamente implicado como origem da dor;
  • A atividade eletromiográfica da região abdominal não se encontra afetada durante o episódio de DAT, descartando assim a câimbra muscular como possível causa;
  • Apresenta uma incidência muito superior em esportes que implicam movimentos do tronco, reforçando a teoria da irritação peritonial provocada pelos movimentos repetitivos;
  • Sexo e IMC (índice de massa corporal) não se relacionam com a DAT, enquanto a idade e a ingestão de líquidos têm alguma influencia sobre sua aparição.


Enfim, a DAT continua sendo uma entidade de causa desconhecida, apesar da explicação racional e fundamentada sobre sua origem, relacionando-a aos ligamentos do diafragma e ao peritônio.


O ideal, obviamente, é que o profissional que assiste ao atleta (educador físico, fisioterapeuta ou médico) o oriente quanto ao modo de diminuir os episódios da DAT, o que inclui: progressão lenta no ritmo de treino, exercícios respiratórios, melhorar a técnica esportiva, alongamentos (destas estruturas envolvidas), adequada ingestão de líquidos antes e durante o exercício (excesso de líquido ou desidratação estão relacionados à dor) e dieta prévia leve. O importante é saber que esta dor abdominal, apesar de forte, não traz qualquer risco ou consequência importante ao atleta.


Em futuros posts poderemos debater outras lendas ou mitos do exercício físico. E você, conhece algum? Opine, fomente o debate! Utilize o espaço abaixo pelo Facebook, ou entre em contato com o autor pelo e-mail glucas@gestaoesporte.com e pelo Twitter @drgulucas.


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Referências Bibliográficas e sugestões de leitura:



Morton D. Exercise related transient abdominal pain. Br J Sports Med. 2003;37:287-8. 

Plunkket B, Hopkins W. Investigation of the side pain "stitch" induced by running after fluid ingestion. Med Sci Sport Exerc. 1999;31:1169-75. 

Morton D, Aragón-Vargas L, Callister R. Effect of ingested fluid composition on exercise-related transient abdominal pain. Int J Sport Nutr Exerc Metab. 2004;14:197-208. 

Morton D, Callister R. Spirometry measurements during an episode of exercise-related transient abdominal pain. Int J Sports Physiol Perform. 2006;1:336-46. 

Morton D, Callister R. EMG activity is not elevated during exercise-related transient abdominal pain. J Sci Med Sport. 2008;11:569-74. 

Morton D, Callister R. Factors influencing exercise-related transient abdominal pain. Med Sci Sport Exerc. 2002;34:745-9. 


Morton D, Richards D, Callister R. Epidemiology of exercise-related transient abdominal pain at the Sydney City to Surf community run. J Sci Med Sport. 2005;8:152-62. 


Morton D, Callister R. Characteristics and etiology of exercise-related transient abdominal pain. Med Sci Sport Exerc. 2000;32:432-8. 


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Fonte foto banner: www.mentordepessoas.com.br


 

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Esmiuçando a lesão no futebol

lesões desportivas

 

DEFININDO LESÃO ESPORTIVA


São muitas as definições no âmbito esportivo e essa falta de padronização causa uma dificuldade enorme em comparar resultados encontrados em diferentes estudos e também em ratificar sua validade, levando a um descontrole sobre a real situação de instalação de agravos à saúde dos envolvidos com o esporte.


Conforme foi comentado no post anterior, em 2005 a UEFA e a FIFA começaram a preencher essa lacuna no âmbito do futebol, ao estabeleceram definições, metodologia, execução e padrões de relatórios que devem ser adotados para estudos de lesões. A definição de lesão finalmente adotada pelo Comitê de Medicina da UEFA e pelo Centro de Avaliação Médica e Pesquisa da FIFA (F-MARC), anteriormente já usada por Ekstrand (1982), é a seguinte: qualquer queixa física de um jogador ocorrida durante um treinamento agendado ou jogo e que provoque sua ausência na próxima sessão de treinamento ou jogo.


ALGUMAS CLASSIFICAÇÕES

  • Quanto ao tipo:
    • Lesão aguda ou traumática: aquela com aparição conhecida e causa repentina.

§  Entorse: estiramento dos ligamentos de uma articulação (tornozelo, joelho, cotovelo, punho, etc.);

§  Distensão: estiramento de músculos ou tendões;

§  Contusão: hematoma sem laceração, lesão mecânica geralmente superficial produzida por um traumatismo direto;

§  Luxação: deslocamento parcial ou completo das partes ósseas de uma articulação;

§  Fratura: ruptura traumática de um osso.

o Lesão crônica ou por uso excessivo: uma síndrome dolorosa do sistema musculoesquelético (músculos, tendões e articulações) com inicio insidioso e ausência de traumatismo conhecido ou outra doença prévia (os exemplos mais clássicos são as tendinites).


  • Quanto à gravidade:
    • Mínima: lesão que causa ausência de 1 a 3 dias de jogos ou sessões de treinamento;
    • Leve: 4 a 7 dias de ausência;
    • Moderada: 8 a 28 dias de ausência;
    • Grave: mais de 28 dias ausência.


CURIOSIDADES SOBRE AS LESÕES NO FUTEBOL


  • Em jogadores jovens, a incidência de lesões aumenta com a idade, sendo que aos 17 ou 18 anos já passam a ter incidência similar ou inclusive maior que em adultos.


  • 85% do total das lesões no futebol estão localizadas da cintura pra baixo (quadril, virilha, coxa, joelho, perna, tornozelo, pé e dedos).

 

  • As lesões afetam, predominantemente, os músculos da coxa, a articulação do tornozelo e o joelho. Os tipos mais comuns de lesões são as distensões, as entorses e as contusões.


  • A coxa é a localização mais frequente, com predomínio de lesões da parte posterior (músculos isquiotibiais) sobre a anterior (músculo quadríceps) e destas sobre os adutores (região interna da coxa). Pode-se especular que o alto risco de lesões musculares na coxa reflete a alta intensidade do futebol profissional moderno. No entanto, não está totalmente claro na literatura se o risco de distensão na coxa tem aumentado nos últimos anos ou o risco de outros subtipos de lesões, como a entorse no tornozelo, tem diminuído;


  • Ainda assim, a entorse do ligamento externo do tornozelo continua sendo o diagnóstico mais comum (15 a 20% do total de lesões);


  • Um estudo realizado por Ekstrand e colaboradores concluiu que uma equipe da elite do futebol, com 25 jogadores no elenco, pode esperar cerca de 50 lesões por cada temporada, a metade delas seria mínima ou leve, que causariam ausências de menos de uma semana, enquanto até oito ou nove poderiam ser grave, causando uma ausência de mais de quatro semanas. Muitas das lesões musculares são consideradas graves, necessitando mais de um mês de recuperação;


  • As lesões na cabeça são responsáveis ​​por 4% a 22% de todas as lesões de futebol, segundo diferentes pesquisas. Isto incluiu todos os tipos de lesões na cabeça (concussões cerebrais, fraturas faciais, lacerações e lesões oculares).


  • Principal fator de risco de lesão: lesão prévia com uma reabilitação inadequada.


  • Recidiva: lesão do mesmo tipo e no mesmo lugar, com a lesão prévia ocorrendo há mais de dois meses após o retorno do jogador à participação plena após a reabilitação. A maioria dos estudos situa a taxa de recidiva entre 20 e 30% do total de lesões. Uma possível explicação para esses valores elevados seria o alto nível de exigência do futebol profissional atual, envolvendo tempos cada vez mais curtos na reabilitação do atleta, o que pode implicar tratamentos incompletos e deficientes e um consequente retorno prematuro ao esporte. Pode-se especular que a melhoria do processo de reabilitação, controlada através de testes funcionais antes do retorno do jogador aos jogos e treinamentos, poderia reduzir o risco de uma nova lesão. As recidivas frequentemente são mais graves que a lesão anterior e necessitarão tempos mais longos de recuperação.


PALAVRA DE ORDEM: PREVENÇÃO!


Toda atividade esportiva envolve risco de lesão e o objetivo da medicina esportiva é minimizar esse risco, através do conhecimento, avaliação e controle da prática esportiva. Somente estudando as lesões ocorridas podemos evitá-las no futuro. Uma vez que estas são conhecidas, podem-se projetar métodos preventivos para proteger as partes mais suscetíveis de lesões. A intervenção profilática de lesões deve ser projetada pela equipe de trabalho existente ao redor do atleta (treinador, preparador físico, fisioterapeuta e médico). Dependendo da boa formação do treinador e da sua colaboração com o departamento médico, deve-se assegurar, tanto quanto possível, a tomada de medidas preventivas conjuntas para minimizar a casuística de lesões no futebol.


A partir dessa premissa, concluímos que a identificação de medidas preventivas e o seu cumprimento por parte dos atletas podem levar à diminuição do número de lesões em jogadores de futebol. As intervenções devem se concentrar, principalmente, nas lesões musculares e nas recidivas de lesões devido ao grande potencial de gravidade dessas lesões dentro do perfil do jovem atleta.


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Referências Bibliográficas e sugestões de leitura:


  • Ekstrand J, Hägglund M, Waldén M. Injury incidence and injury patterns in professional football - the UEFA injury study. Br J Sports Med. Epub 2009 June 23.
  • Dvorak J, Junge A. Football injuries and physical symptoms. A review of the literature. Am J Sports Med. 2000;28(5 Suppl):S3-9.
  • Hägglund M, Waldén M, Ekstrand J. Methods for epidemiological study of injuries to professional football players: developing the UEFA model. Br J Sports Med. 2005;39:340-346.
  • Junge A, Dvorak J. Soccer Injuries: a review of incidence and prevention. Sports Med. 2004;34(13):929-938.
  • Hägglund M, Waldén M, Ekstrand J. Previous injury as a risk factor for injury in elite football: a prospective study over two consecutive seasons. Br J Sports Med. 2006 Sep;40(9):767-72. Epub 2006 Jul 19.

 

Créditos da foto do banner: www.masentrenamiento.com

Créditos da foto do texto: www.fisioterapiavalencia.es


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A gestão da lesão esportiva

O meu Feliz 2014 chega com atraso, mas o blog volta com força total e com ânimo renovado. Nesse primeiro post do ano, inicio uma serie de artigos sobre lesões esportivas, mas especificamente sobre lesões no futebol. Abordarei alguns conceitos, citarei classificações, darei pinceladas sobre epidemiologia e focarei na gestão e na prevenção.

 

neymar lesionado

Neymar se retira do campo depois da lesão no tornozelo direito. Fonte: www.20minutos.es

 

 

PROFISSÃO: FUTEBOLISTA.


Não é nenhuma novidade o fato do futebol ser o esporte mais popular do mundo, com praticantes de todas as idades, níveis sociais e níveis técnicos. Segundo dados de 2006 da FIFA (Fédération Internationale de Football Association), há um número estimado de 265 milhões de jogadores em todo o mundo, com 38 milhões de atletas federados, 10% a mais que no ano 2000. Um dado muito interessante foi constatado em 1999 pelo grupo de pesquisa da Associação de Futebol Inglês (FA): jogadores profissionais de futebol apresentam um risco de acidente (lesão) mil vezes maior do que as ocupações industriais de alto risco.


RISCO LABORAL & RISCO LESIONAL


A exposição a um alto risco de lesão é devido, principalmente, ao intenso contato físico entre os jogadores e à grande variabilidade de movimentos característicos do esporte. Na mais recente classificação de esportes de Mitchell (2005), o futebol aparece no grupo IC, ou seja, com um componente estático baixo, um componente dinâmico alto, jogado geralmente em altas intensidades e com grande potencial de contato ou colisão. Estas características o convertem em um esporte com elevado risco de lesão musculoesquelética e certo grau de sobrecarga do sistema cardiovascular, aumentando a possibilidade de eventos indesejáveis como a morte súbita.


LESÕES ESPORTIVAS VERSUS SAÚDE PÚBLICA


Para tentar entender o processo de gestão das lesões no futebol, recorremos à epidemiologia. A OMS (Organização Mundial da Saúde) define epidemiologia como o estudo da distribuição e dos determinantes de estados ou eventos (doenças e, em nosso caso, lesões) relacionados com a saúde e a aplicação desses estudos no controle de doenças e outros problemas de saúde.


Para que se possa definir um agravo (doenças) como problema de saúde pública, torna-se necessária a analise de três critérios. São eles:

  • Magnitude: refere-se à abrangência, ou seja, o contingente de pessoas acometidas pela ocorrência, sendo a taxa de prevalência (número total de casos existentes) e a incidência (casos novos de uma doença);
  • Transcendência: o custo social dos agravos à população, interferindo diretamente nas relações sociais, econômicas, profissionais e culturais como um todo;
  • Vulnerabilidade: o quanto a doença pode ser controlada, mediante a aplicação de investimentos e conhecimentos específicos.


Portanto, se sabemos a prevalência de uma determinada lesão esportiva, podemos controlar ou prevenir com um tratamento específico e consequentemente diminuir a taxa de incidência, minimizando a sua gravidade. Nesse contexto entendemos que a quantificação de doenças é feita por meio de recursos epidemiológicos que utilizam estratégias adequadas a cada possibilidade de pesquisa. Quando relacionada à lesão esportiva encontramos a barreira de não haver consenso, observando muitas vezes apenas a quantificação dos casos mais graves, o que leva a um bloqueio das medidas apropriadas de investimentos.


A alta popularidade do futebol e sua alta incidência de lesões aumentam o interesse epidemiológico específico por esse esporte, particularmente na busca de medidas preventivas. O primeiro passo na prevenção de lesões é estabelecer a extensão do problema: a incidência, a gravidade e o perfil de lesões.


Com esse intuito, em 1999, a UEFA (Union of European Football Associations) iniciou um projeto de pesquisa com o objetivo de reduzir o número de lesões e aumentar a segurança ocupacional dos jogadores do futebol de elite. O resultado foi a publicação, em 2005, de um modelo de estudo epidemiológico apresentando diretrizes práticas para futuros estudos. No mesmo ano, o Centro de Avaliação Médica e Pesquisa da FIFA (F-MARC) apresentou, através do Grupo de Consenso de Lesões, uma declaração de consenso para estabelecer definições, metodologia, execução e padrões de relatórios que devem ser adotados para estudos de lesões no futebol. É a medicina do futebol tentando falar o mesmo idioma.


DA TEORIA À PRÁTICA


Segundo um estudo de 2004 do Grupo FA no futebol profissional, o impacto da lesão em um clube pode ser medido em termos de jogos oficiais perdidos (o custo do salário de um jogador) ou o desempenho do time. Em academias ou escolas de futebol (categorias de base), no entanto, o impacto do prejuízo deve ser considerado do ponto de vista do desenvolvimento do jogador e sua aquisição de habilidades. Em dados recentes levantados pelo departamento médico das categorias de base do Atlético de Madrid, constata-se que, em média, cada lesão impede o jogador de participar em atividades normais por 21 dias e que cada jogador se lesiona 1,7 vezes por temporada. Isto equivale a uma perda de cerca de 7 % da temporada por cada jogador e, portanto, uma grande parte do seu tempo de desenvolvimento. Se considerássemos a hipótese de Ericsson (1994) de que um jogador jovem deve praticar um pouco mais de três horas por dia durante 10 anos para alcançar o máximo desenvolvimento de suas habilidades esportivas, esse objetivo possivelmente não seria alcançado se um jogador perdesse 7% do seu desenvolvimento. É a gestão na medicina contribuindo com a gestão da entidade esportiva.


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Referências Bibliográficas e sugestões de leitura:


  • Féderation Internacionale de Football Association. Football Big Count 2006: official FIFA survey. Available from: http://es.fifa.com/mm/document/fifafacts/ bcoffsurv/bigcount.statspackage_7024.pdf
  • Hawkins RD, Fuller CW. A prospective epidemiological study of injuries in four English professional football clubs. Br J Sports Med. 1999;33:196-203.
  • Ramos JJ, Segovia JC, López-Silvarrey FJ, Legido JC. El Fútbol: valoración funcional, test de campo y laboratorio. Madrid: Fundación SEK; 2007. p. 45-46.
  • Hägglund M, Waldén M, Ekstrand J. Methods for epidemiological study of injuries to professional football players: developing the UEFA model. Br J Sports Med. 2005;39:340-346.
  • Junge A, Dvorak J. Soccer Injuries: a review of incidence and prevention. Sports Med. 2004;34(13):929-938.
  • Emery CA, Meeuwise WH, Hartmann SE. Evaluation of risk factors for injury in adolescent soccer: implementation and validation of an injury surveillance system. Am J Sports Med. 2005 Dec;33(12):1882-91. Epub 2005 Sep 12.
  • Malina RM, Morano PJ, Barron M, Miller SJ, Cumming SP, Kontos AP. Incidence and player risk factors for injury in youth football. Clin J Sport Med. 2006 May;16(3):214-22.
  • Kucera KL, Marshall SW, Kirkendall DT, Marchak PM, Garrett WE Jr. Injury history as a risk factor for incident injury in youth soccer. Br J Sports Med. 2005 Jul;39(7):462.
  • Hägglund M, Waldén M, Ekstrand J. Previous injury as a risk factor for injury in elite football: a prospective study over two consecutive seasons. Br J Sports Med. 2006 Sep;40(9):767-72. Epub 2006 Jul 19.
  • Price RJ, Hawkins RD, Hulse MA, Hodson A. The Football Association medical research programme: an audit of injuries in academy youth football. Br J Sports Med. 2004;38;466-471

 

Crédito da foto do banner: mundod.lavoz.com.ar


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A Medicina e a Ciência no Futebol

 

Lendo o último post do colega Gabriel Trajano, fiquei instigado a escrever sobre a atual situação da medicina e da ciência dentro do esporte e, principalmente, na minha área de atuação: o futebol. É fato que a grande maioria das publicações científicas esportivas provém de países anglo-saxões como Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, além dos países nórdicos. O futebol, esporte que mais movimenta dinheiro no mundo, segue essa mesma linha, com uma diferença importante: as principais instituições internacionais que o representam contribuem (e muito) com a pesquisa, a formação e a capacitação dos profissionais envolvidos.

 

A entidade máxima do futebol mundial (FIFA), através do seu Comitê Médico, fundou em 1994 uma unidade independente de pesquisa: o Centro de Pesquisa e Medicina da FIFA (F-MARC), cujo objetivo é o desenvolvimento de uma base científica para proteger a saúde dos jogadores e promover o futebol como atividade de lazer saudável. A primeira tarefa do F-MARC foi tentar reduzir a incidência de lesões no futebol. Para isso era necessário constatar com que frequência e por que motivos jogadores amadores e de elite sofrem lesões, pré-requisito essencial para uma prevenção eficaz. As conclusões dos inúmeros estudos epidemiológicos publicados durante esses vários anos permitiram que F-MARC desenvolvesse "Os 11+", um programa de prevenção de lesões no futebol. Em um estudo recente na Noruega, a adoção deste programa resultou na diminuição de um terço das lesões e o número de lesões graves caiu pela metade. Segundo a própria FIFA, o seu Comitê Médico e o F-MARC têm como principais objetivos: proteger a saúde de 265 milhões de jogadores mundo afora, promover o futebol como uma atividade segura e saudável e aprimorar a sua contribuição para a saúde mundial.

 

Congresso médico da FIFA

fonte: www.fifa.com

 

A UEFA, como representação máxima do futebol na Europa, também vem aumentando muito sua contribuição no avanço científico do esporte. Do combate ao doping à análise de lesões, passando por áreas como a dermatologia, a fisiologia, a psicologia, a farmacologia, a higiene e a nutrição, assim como a internacionalização do esporte, o jet lag e o futebol em condições extremas (por exemplo: o clima e a altitude), todos esses  temas são objetos frequentes de pesquisa e estudo. No início de 2012, foi lançado pela entidade um programa pelo qual a excelência da medicina no futebol será promovida por todas as federações nacionais europeias. O Programa de Formação de Médicos de Futebol da UEFA tem como objetivo estabelecer novos padrões ao difundir o conhecimento médico específico pelo futebol europeu, enfatizando a mensagem de que o conhecimento médico deve ser partilhado entre os especialistas para benefício do esporte. 

 

A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), através do seu Departamento Médico, realiza de forma bimestral suas Jornadas Médicas direcionadas a médicos, enfermeiros e fisioterapeutas com o intuito de promover a atualização científica, o intercâmbio de experiência e conhecimentos além da unificação de critérios de atuação. Em fevereiro de 2013 tive o prazer de participar de um workshop sobre urgências no futebol organizado por essa entidade e que fazia parte do Programa de Formação de Médicos de Futebol da UEFA.

 

Curso de urgências médicas no futebol (RFEF/UEFA)

fonte: www.uefa.org

 

A Associação Espanhola de Médicos de Equipes de Futebol (AEMEF), da qual sou sócio desde 2012, foi constituída em 1989 por médicos que trabalhavam em clubes de futebol. Tem como objetivo a cooperação entre todos os profissionais médicos que exerçam sua atividade em times de futebol na Espanha, para que, juntos, possam enfocar no estudo dos problemas específicos da prática médica nesse esporte. Atualmente, AEMEF está constituída por mais de uma centena de médicos que atuam em entidades futebolísticas e que compartilham experiências, reflexões, problemáticas e amizade, tanto no cotidiano de trabalho como nos cursos, jornadas e congressos organizados periodicamente pela Associação.

 

No âmbito brasileiro, a Comissão Nacional de Médicos do Futebol (CNMF/CBF), "criada em 2010 após aprovação em Assembleia Geral da CBF neste mesmo ano, se ocupa de todos os assuntos médicos relacionados com o futebol brasileiro, trabalhando em conjunto com os profissionais de medicina de todo o país. Tem como objetivo principal fornecer o conhecimento e a capacidade para proteger a saúde de todos envolvidos no futebol brasileiro, além de promover o futebol como uma ferramenta fundamental de saúde pública". Em abril de 2013 organizou em Natal o IV Encontro Nacional de Médicos de Futebol, com a presença de mais de 100 profissionais da área e 56 representantes de times que disputam o Campeonato Brasileiro das séries A, B, C e D. Também é importante ressaltar que o Brasil possui dois Centros Médicos de Excelência da FIFA, somando-se a uma prestigiada lista de 34 centros médicos e clínicas de alto padrão em todo o mundo: o Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina USP e a Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, ambos em São Paulo, com foco no tratamento multidisciplinar e de prevenção, em pesquisas científicas e nas novas tecnologias de cirurgia ortopédica.

 

A Medicina do Futebol já pode ser considerada uma subespecialidade da Medicina Esportiva devido à suas peculiaridades, à sua crescente produção científica e ao grande número de profissionais que a ela se dedicam. Em tempos de internet, a oferta formativa oferecida pelas entidades esportivas e pelas associações médicas relacionadas ao futebol leva o conhecimento ao alcance de todos. Na Europa ou no Brasil, a medicina esportiva avança de mãos dadas com o esporte. 

 

 

Opine e fomente o debate.

 

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twitter: @drgulucas

 

 

Crédito da Foto no Portal:http://esporte.uol.com.br/futebol/album/2012/06/17/5-rodada-do-campeonato-brasileiro.htm#fotoNav=6

 

 

Referencias Bibliográficas e sugestões de leitura:

www.fifa.com

www.uefa.org

www.rfef.es

www.aemef.org

www.cbf.com.br

 

 

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Ergogenia X Doping

Para falar de rendimento esportivo e doping, temos que deixar claras algumas definições.  

 

É fato que ao longo da história o nível de exigência dos atletas aumentou. As marcas melhoram em um curto espaço de tempo e precisam seguir melhorando, é a razão de ser do esporte de alta competição. Os treinamentos se individualizam segundo as características do atleta, aprimorando ainda mais sua técnica. Isso faz com que a margem entre a vitória e a derrota seja cada vez menor. A atenção e o cuidado com todos os detalhes pode representar uma diferença fundamental para a conquista do objetivo prioritário: melhorar a marca, ampliar a vantagem sobre o adversário e ganhar. 

 

Nesse contexto, aparece a palavra ergogenia, que provém do grego, onde "ergon" significa trabalho e "gennan" significa gerar. Consideramos como recurso ergogênico (ergogenic aid) qualquer substância, manobra ou método realizado com o fim de aumentar a capacidade para desempenhar um trabalho físico e melhorar o rendimento.

ajudas ergogênicas

 

Podemos distinguir quatro possíveis grupos:


1. Aqueles que são considerados legais porque o seu uso é permitido pelos máximos organismos esportivos internacionais e que o uso normal, em doses adequadas, não seria perigoso ou prejudicial para a saúde dos consumidores.


2. Aqueles que, não estando proibidos, pelo menos no momento atual parecem ser um perigo potencial para a saúde dos usuários.


3. Aqueles que, mesmo estando proibidos pelas organizações desportivas internacionais, não parecem constituir um perigo potencial para o consumidor habitual (se usados de forma correta).


4. Aqueles que, além de serem expressamente proibidos e, portanto, ocasionarem sanções, são conhecidos por serem prejudiciais à saúde.

 

 

 

recursos ergogênicos

 

 

 

 

classificadas em 5 tipos:


Biomecânicos: melhoras em materiais e instrumentos produzem melhoras mecânicas no rendimento esportivo, como os novos materiais usados na composição das roupas, além de tênis, esquis, raquetes, capacetes, bicicletas aerodinâmicas, roupas de borracha (neoprene), etc. Novas técnicas de treinamento (como melhorar um salto, por exemplo). Palmilhas anatômicas e bandagens funcionais.


Psicológicos: técnicas de concentração, de relaxamento e hipnose, melhorando a postura em relação à pressão da alta competição, com melhores resultados finais.


Fisiológicos: por exemplo, o aquecimento muscular, que aumenta o fluxo sangüíneo e a temperatura do músculo, melhorando a sua capacidade de trabalho e seu metabolismo energético. A massagem, boa técnica antes e após o exercício. Outras, como a autotransfusão, atualmente considerada doping sanguíneo. O oxigênio em altas concentrações nas câmaras hiperbáricas ou o tratamento com as câmaras hipobáricas (simulando o treinamento em altitude).


Farmacológicos: fármacos, hormônios e drogas ilícitas. Podem ser substâncias permitidas (cafeína, creatina, carnitina, taurina, codeína) ou proibidas (efedrina, anfetamina, cocaína, EPO, GH, anabolizantes).

 

Nutricionais:

Suplementação com Macronutrientes: como bebidas esportivas energéticas e isotônicas, suplementos a base de proteínas, carbohidratos e aminoácidos, etc. Dietas de supercompensação de carboidratos.

Suplementação com micronutrientes: vitaminas e minerais.

 

 

 

 

 

ergogenia

 

Observa-se que se entrecruzam e se antepõem vários conceitos importantes para estas diferentes categorias de recursos ergogênicos. Em primeiro lugar, consideramos como fator de prioridade que, para melhorar a capacidade física de uma pessoa, não se coloque em risco sua saúde presente ou futura. Mas também se deve analisar o fato de que muitos atletas tentam competir com vantagem sobre os outros. Tentam superar as capacidades físicas melhoradas exclusivamente pelo treinamento de alguns, com a utilização de métodos ergogênicos artificiais disponíveis apenas para poucos. Aí é quando entramos no terreno do doping.

 

Doping - a ergogenia proibida - é um problema ético, porque é completamente contrário aos princípios básicos do "fair play", de competir sem trapacear o adversário, com vantagens adquiridas de forma fraudulenta. É também uma questão moral, porque vai contra os princípios da terapia médica, que se baseia em prescrever ou aconselhar o uso de medicamentos ou outros produtos que ajudam a curar ou prevenir doenças, não para ser usado por pessoas saudáveis ​​com o intuito de melhorar suas marcas esportivas. Finalmente, também é um problema médico, porque altas doses de drogas potentes ingeridas por pessoas saudáveis ​​podem causar efeitos colaterais graves, principalmente a médio e longo prazo.

 

Resumindo, a tecnologia parece ser capaz de produzir um novo grupo de atletas, aqueles modificados ou criados para obter o sucesso. A questão agora é: como a sociedade vai responder a estes novos atletas? Qual o limite entre a ergogenia e o doping?

 

Opine e fomente o debate.

 

 

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twitter: @drgulucas

 

Referencias Bibliográficas e sugestões de leitura:


Benardot, D. 2006. Advanced Sports Nutrition. Human Kinetics.


Kreider R. et al. 2010. ISSN exercise & sport nutrition review: research & recommendations. J.I.S.S.N., 7:7.


Pancorbo A.E. 2008. Medicina y Ciências del Deporte y Actividade Física. Consejo Superior de Deportes. Ergon.


Análisis, Valoración y Monitorización del entrenamiento de alto rendimiento deportivo. Colección ICD. Consejo Superior de Deportes. 2010.

 

 

 

 

 

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Ilusão no esporte

 

O esporte de elite move muito dinheiro, isso é fato, tanto na hora de premiar os atletas quanto para promover os mais diversos produtos usando a imagem deles. O crescimento exponencial desse mercado tem provocado um aumento do uso de medicamentos para melhorar o desempenho dos atletas, fomentando uma indústria paralela e obscura que também não para de crescer: o doping.

 

Em termos gerais, doping se refere ao uso, por um atleta, de substâncias ou métodos proibidos para progredir nos treinamentos e melhorar o desempenho esportivo. Quando falamos de doping geralmente pensamos em esteroides, mas também é considerado doping a utilização de outras substâncias proibidas (como estimulantes, hormônios, diuréticos, narcóticos e maconha), o uso de métodos proibidos (como transfusões de sangue ou de doping genético) e até mesmo a recusa em passar por um controle antidoping ou tentar manipulá-lo. Este fenômeno não se limita a atletas de elite, também afeta os jovens e os esportistas amadores, ameaçando os fundamentos éticos e morais do esporte e a saúde do individuo.

 

Às vezes, prêmios, dinheiro ou fama podem levar os atletas a tomarem decisões erradas. Pensam que o doping pode dar-lhes um empurrão, abreviar longos anos de treinamento ou ajudá-los a vencer. E estão dispostos a arriscar suas carreiras e sua saúde. Estão dispostos a vencer a qualquer custo! Muitos se sentem pressionados pelos treinadores, pelos pais ou por si mesmo para serem os melhores. Veem o doping como um meio para superar as expectativas depositadas sobre eles. Outros atletas recorrem a esse método para superar lesões. Em alguns casos seus próprios preparadores físicos ou treinadores incitam seu uso com o intuito de tirar a dor e ajudar a acelerar a recuperação, mas omitem seus riscos para a saúde ao não considerá-lo uma trapaça. É verdade que o doping pode ajudar os atletas a ganhar força e musculatura, reduzir o cansaço ou dissimular a dor, mas também tem efeitos secundários nocivos.

 

Doping Sprinter

Fonte: atletismoperote.blogspot.com

 

Existem muitos tipos de drogas que são proibidas no esporte, pelo dano que podem causar à saúde do atleta e ao fair play. O conceito de doping da Agencia Mundial Antidoping, mais conhecida como WADA (World Anti-Doping Agency), se baseia em três fundamentos: incremento artificial do desempenho esportivo, risco para a saúde do atleta, ser contrário aos valores do esporte. Quando dois desses três fundamentos estão presentes em uma substância ou método, existe a possibilidade teórica de ser incluída na lista anual de substâncias proibidas. Estas drogas se enquadram nas seguintes categorias:

  • Estimulantes: podem aumentar a concentração e reduzir a fadiga, mas também podem danificar o coração;
  • Esteroides: podem aumentar a massa muscular e a força, mas pode danificar o coração, o fígado e o sistema reprodutivo, além de poder causar morte súbita;
  • Hormônios: podem ter várias aplicações médicas úteis, mas pode ser prejudicial quando o atleta é jovem e ainda está crescendo;
  • Diuréticos: podem ajudar a perder peso, encobrem o uso de substâncias proibidas e podem causar desidratação e fadiga;
  • Narcóticos: aliviam a dor, mas seu uso continuado poderia levar a uma lesão crônica;
  • Canabinóides (haxixe, maconha): podem servir como relaxante, mas também pode levar a uma perda de coordenação e concentração.

 

Alguns desses medicamentos podem levar a mudanças óbvias na aparência. Por exemplo, a utilização de esteroides anabolizantes pode causar acne, especialmente nas costas. Nos homens, pode atrofiar testículos, causar impotência e calvície, e as mulheres podem desenvolver uma voz mais grave e pelos faciais. Pode haver efeitos colaterais ainda mais sérios, como problemas cardíacos (arritmias), hepáticos (inclusive câncer de fígado) e renais, podendo até provocar a morte de atletas.

 

Mesmo o atleta tomando algo por acidente, ainda é considerado doping. Em última instância, ele é responsável por tudo o que se passa em seu corpo, devendo evitar qualquer droga que não seja prescrita por um médico que sabe que ele é um atleta. Deve saber que alguns medicamentos ou suplementos de farmácia ou supermercado podem conter substâncias proibidas, mesmo que os rótulos indiquem que o produto seja "completamente natural".

 

Se o atleta necessita alguma medicação para tratar um problema de saúde, existem maneiras de certificar que essa droga não influencia a sua capacidade de competir. Por exemplo, se ele precisar de um medicamento para a asma que consta na lista de medicação proibida, sua entidade esportiva e seu médico podem solicitar à entidade competente (geralmente a federação internacional de cada esporte) uma Isenção de Uso Terapêutico (IUT). Com a IUT aceita, o atleta fica livre de punições se um dia tenha que passar por algum controle antidoping.


Doping no esporte é trapaça. Acaba com o jogo limpo e com a competição. O esporte é muito mais do que apenas ganhar. A honestidade, a cooperação e o valor são essenciais para que o esporte sobreviva como uma atividade positiva e louvável.

 

Para os atletas, fica a dica:

  • O esporte consiste em expressar o seu verdadeiro eu e desenvolver ao máximo um potencial único.
  • Sucesso no esporte é sinônimo de atitude adequada, treinamento, tempo e esforço.
  • Dar o melhor de si mesmo, em seu estado natural, sempre será suficiente.
  • Você será julgado por como você compete, não apenas pelo resultado.
  • Você, e somente você, é responsável pelo que entra em seu corpo. Cuide dele.

 

Esse assunto, devido à sua amplitude, será exposto muitas vezes nesse blog. Se você se interessa pelo tema, opine e ajude-nos a ampliar nossos conhecimentos.

 

Twitter: @drgulucas

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O médico e a lesão de uma grande estrela

 

Seguindo a linha dos últimos posts, onde foi descrita a função do médico dentro de uma equipe esportiva, hoje tentarei situar o departamento médico dentro de um contexto que deu o que falar no mundo esportivo nessa semana: o caso Messi.

 

Lionel Messi, astro do Barcelona e ganhador, nos últimos quatro anos, do prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA, sofreu sua terceira lesão muscular em três meses, criando uma enorme expectativa quanto à sua recuperação por parte da imprensa esportiva, do seu clube (Barcelona), da seleção argentina e dos fãs do futebol. Seria o início do fim da era Messi? Não é para tanto.

 

O diagnóstico atual é o de uma lesão muscular grau 2 no terço distal do bíceps femoral. Resumindo: uma lesão de gravidade moderada (lembrando que segundo a FIFA, lesões moderadas são aquelas que causam entre 7 e 28 dias de afastamento do jogador) na parte inferior e externa do musculatura posterior da coxa esquerda. O mesmo músculo das duas lesões prévias, apesar de apresentarem características e localizações distintas dentro do próprio músculo.

 

La lesión de Messi

fonte: www.canchallena.lanacion.com.ar

 

Agora vamos às possíveis causas. Depois do bombardeio de informações e especulações da imprensa, muita gente pergunta se alimentação inadequada (o jogador tem fama de ter péssimos hábitos alimentares) e a pré-temporada tumultuada (inúmeras viagens com o time e compromissos com patrocinadores pessoais) têm alguma relação com as lesões do Messi, e a resposta é: pode ser que sim. Apesar da pouca evidência científica, na prática observamos que esses fatores, direta ou indiretamente, aumentam o risco de padecer uma lesão muscular.

 

Abrindo um parêntesis, as principais condições que favorecem a ocorrência desse tipo de lesão em atletas são:

 

  • biotipo brevilíneo (corpo mais baixo e largo que o padrão) e hipermusculado; 

 

  • músculos poliarticulares, principalmente en extremidades inferiores (aqueles que atuam em mais de uma articulação); 

 

  • defeito ou excesso de treinos;

 

  • aquecimento insuficiente;

 

  • acúmulo de fadiga muscular; 

 

  • desequilíbrio muscular (entre músculos principais, sinergistas e antagonistas);

 

  • condições ambientais (frio e umidade). 

 

Obviamente, existem outros fatores implícitos que deve ser levados em conta. São fatores muito difíceis de especificar, mas que agregam a experiência de todos os profissionais que estão ao redor do jogador:

 

  • estado laboral contratual do jogador;

 

  • estado psico-emocional: ansiedade, hipermotivação, medos;

 

  • Estado de veterano ou novato da equipe;

 

  • Esporte, e nesse sentido intervêm vários fatores, desde as características do jogador, o jogo em si, o gesto esportivo, o campo de jogo, etc.

 

Fechando parêntesis.

 

No meu ponto de vista, nesse caso específico, o principal fator desencadeante da lesão foi a pressão da mídia. Quando um jogador "normal" se lesiona, se estabelece um prognóstico quanto ao tempo de afastamento esportivo e, normalmente, não há problemas para corresponder às expectativas. Por outro lado, quando um jogador mediático se lesiona, deve-se encurtar o tempo de recuperação da lesão sim ou sim, para alegria do treinador, do dirigente, do patrocinador, do torcedor e da imprensa. Aí é quando muitas vezes aparecem os problemas de recidivas e novas lesões.

 

O médico da equipe deve ser o principal gestor da cadeia de tratamento. Deve coordenar uma equipe multidisciplinar, com fisioterapeutas, readaptadores e preparadores físicos, durante todo o processo de reabilitação e readaptação, culminando com a reintegração do atleta à dinâmica de trabalho dos demais jogadores. Essa decisão sobre quando retornar à competição deve ser tomada com garantias absolutas de que o atleta não voltará a se lesionar, pois o risco de uma nova lesão no mesmo local é muito alta em lesões musculares, de 14 a 16% durante os seguintes dois meses depois da alta médica. E dessa decisão devem participar todos os envolvidos no processo. Por isso considero acertada a decisão do Departamento Médico do Barcelona de prognosticar de seis a oito semanas o prazo de volta aos campos. Por prudência, devem garantir que o jogador não voltará a jogar até que esteja totalmente recuperado no aspecto médico e, principalmente, físico.

 

Com Guardiola, Messi teve que mudar seus hábitos de vida, como pessoa e como atleta. Pautas nutritivas, treinamento "à la carte" e respeito máximo aos ciclos competição, recuperação, treinamento e volta à competição. A chave era respeitar o descanso. Treinar com carência é sinônimo de queda no rendimento e um aumento exponencial do risco de lesão. Dizem que Guardiola lhe exigia muito e que quando viu que já não era capaz de fazer isso, decidiu deixar o Barcelona. Agora Messi necessita ser resgatado e blindado outra vez, para poder render o que sempre rendeu.

 

Desta forma, concluímos que o importante não é a alta médica e sim a disponibilidade para render no campo. O que adianta jogar mancando, mesmo se tratando do craque do século? No esporte profissional não devemos ser conservadores, mas sim, prudentes. Quanto mais conhecimento e experiência se tenha, melhor se toma a decisão final.

 

 

As lesões de Messi

fonte: www.marca.com

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O papel do médico (e sua equipe) dentro de uma equipe esportiva

 

Participar do dia a dia de uma equipe esportiva é uma das atividades mais desafiadoras vivenciadas por um médico do esporte, apesar de que, a simples vista, cuidar da saúde de um grupo de atletas jovens e saudáveis possa parecer extremamente tentador e, até mesmo, sinônimo de diversão. Mas o papel do médico de equipe vai muito além da atenção às lesões relacionadas à prática esportiva. A experiência com a medicina do esporte (como, por exemplo, em uma viagem de equipe), pode ser tão gratificante quanto exaustiva. Em alguns aspectos, o médico é o membro menos importante do grupo, já que jogadores, preparadores físicos e treinadores contribuem de forma mais direta ao rendimento esportivo. No entanto, quando alguém adoece ou tem uma lesão grave, a sua participação se torna essencial. Liderança, responsabilidade, ética, comprometimento e disposição em ajudar sempre, são algumas das qualidades indispensáveis para essa função. É fundamental procurar ser "mais um" dentro do grupo, além de ter a ideia clara de que o objetivo principal de todos é a saúde, o bem estar e a performance do atleta.

 

O dia a dia do médico de equipe:

  • Responsável pela avaliação clínica e funcional do atleta, seja na pré-temporada ou no momento de uma contratação (visão global da saúde do atleta).
  • Cuidados nutricionais e de hidratação (antes, durante e pós-exercício).
  • Prevenção, diagnóstico e tratamento de lesões esportivas (e também de doenças comuns).
  • Integração e comunicação com outras áreas (médicas ou técnicas).
  • Acompanhamento em treinos e competições.
  • Viagens (alimentação, água, vacinas, clima, altitude, fuso horário)

 

Atendimento médico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: www.marca.com

 

Mas o médico não está sozinho nessa empreitada. As complexidades do treinamento, da fisiologia do exercício e do suporte ao atleta requerem um grupo de especialistas em medicina e ciências do esporte, uma equipe multidisciplinar. Esta equipe é composta, frequentemente, por:

 

  • Médico do Esporte e consultores de outras especialidades
  • Fisioterapeuta
  • Enfermeiro
  • Nutricionista
  • Psicólogo
  • Fisiologista
  • Massagista
  • Podólogo
  • Dentista
  • Outros

 

O caráter mecanicista, a visão fragmentada do paciente e a atuação individualista dos médicos são particularidades da medicina ocidental. Dentro desse contexto aparece a medicina esportiva como uma especialidade médica que encontra forte relação e grande receptividade em outras áreas da saúde e também com os profissionais que integram a comissão técnica. Com essa visão mais moderna, a relação torna-se obrigatoriamente multidisciplinar. Quem sai ganhando é o atleta, que recebe uma atenção especializada e, consequentemente, melhora seu rendimento. O conceito de multidisciplinaridade está consolidado no esporte, tanto em relação ao departamento médico quanto em relação à comissão técnica. Em futuros posts veremos esse conceito, assim como a interdisciplinaridade, aplicados à gestão do esporte. 

 

Fonte: CBFtv

 

 

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Referências e sugestões de leitura:

. Willian E. Garret, Jr, Donald T. Kirkendall, S. Robert Contiguglia. Medicina Del Fútbol. Badalona: Paidotribo, 2005. 

. Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Manual de Medicina do Esporte. São Paulo, Atheneu. 2009. 

 

 

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A Medicina Esportiva e seu âmbito de atuação

Um aspecto primordial de toda especialidade médica é o tipo de população a que ela se destina. Apesar do nome, a Medicina do Esporte não lida somente com o atleta, como foi explicado no post anterior, por isso existe a tendência do uso do nome Medicina do Exercício e do Esporte. Inúmeros estudos científicos demonstram a influência benéfica do exercício físico regular para a saúde: reduz a incidência e a mortalidade de doenças crônico-degenerativas, como diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica (incluindo a asma brônquica), hipertensão arterial, doença coronariana, osteoporose e obesidade, além de melhorar a qualidade de vida das pessoas portadores dessas doenças.

 

Muitas vezes os verdadeiros objetivos da Medicina Esportiva são confundidos de tal forma que ainda se acredita que quem pratica Medicina do Esporte é um Ortopedista (principalmente de clube de futebol). Essa era a realidade em um passado não muito distante, provavelmente pela escassa e insuficiente formação especializada, limitada a cursos de pós-graduação. Ortopedistas, cardiologistas e clínicos gerais, especializados em medicina esportiva, foram durante anos a cara da nossa especialidade. Com a criação do programa de residência médica em 2007, a formação ganhou qualidade e a população passou a contar com profissionais com uma formação mais generalista dentro da Medicina Esportiva, com uma visão mais ampla de todos os segmentos que a compõem, tornando o médico do esporte uma espécie de médico de família, responsável pela saúde integral do atleta.

 

Desta forma, podemos dividir a Medicina do Exercício e do Esporte em áreas, âmbitos de atuação ou subespecialidades:

 

  • Traumato-Ortopedia Desportiva: prevenção, diagnóstico e tratamento das lesões ósseas, articulares e musculares associadas à atividade física;

 

  • Reabilitação Esportiva: recuperação e readaptação ao esporte;

 

  • Cardiologia do Esporte: avaliação cardiovascular em praticantes de atividade física, seja a nível competitivo ou não, além da reabilitação cardíaca em pacientes cardiopatas;

 

  • Fisiologia do Esporte: avaliação funcional, relacionada com o treinamento e o rendimento esportivo;

 

  • Endocrinologia e Nutrição Esportivas: controle hormonal, alimentação e suplementação nutricional;

 

  • Cineantropometria: avaliação da composição corporal;

 

  • Avaliação Pré-participação: check-up médico-desportivo;

 

  • Medicina do Exercício: prescrição do exercício para prevenção e tratamento de diversas doenças ou para grupos populacionais especiais como idosos, mulheres e crianças;

 

  • Controle anti-doping: luta contra o uso de substâncias ou métodos proibidos no esporte.

 

No Brasil, o número de especialistas em Medicina Esportiva praticamente triplicou nos últimos três anos. Atualmente, existem cursos de pós-graduação regulares em vários estados do Brasil, além de três centros com programas de residência médica credenciados pelo Ministério da Educação (USP, UNIFESP e Universidade de Caxias do Sul). Também deve ser ressaltado o crescimento da atividade física no Brasil, cada vez mais prevalente na população (segundo dados recentes do Ministério da Saúde), e a importância do médico especialista nesse contexto.

 

No nosso terceiro e último post da série de apresentação da Medicina do Esporte, falaremos de uma das mais conhecidas facetas dessa especialidade: o médico de equipe esportiva, um verdadeiro gestor dentro de uma equipe multi e interdisciplinar.

 

Alguma dúvida, crítica ou comentário? Escreva-me!

 

e-mail: glucas@gestaoesporte.com

 

twitter: @drgulucas

 

 

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Referências e sugestões de leitura:

 

. Manonelles Marqueta, P. Medicina de la Educación Física y del Deporte. Especialidad con entidad propia. Archivos de Medicina Del Deporte. Volume XVIII, nº 142, 2011. Pág. 83-85.

 

. Federación Española de Medicina del Deporte: www.femede.es

 

. Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte: www.medicinadoesporte.org.br

 

. Consejo Superior de Deportes: http://www.csd.gob.es/csd/salud

 

. Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Manual de Medicina do Esporte (2009). São Paulo, Atheneu.

 

 

 

 

 

 

 

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Definindo a Medicina do Esporte

"Ah, você é médico? Sou sim. Especializado em quê? Medicina Esportiva. Ah, você é fisio... ou ortopedista, não é! Não, sou médico do esporte, deixa eu te explicar..."

 

Esse diálogo chega a ser corriqueiro, afinal representamos uma especialidade relativamente jovem e pouco conhecida, apesar da existência de diversos relatos, datados de vários séculos antes de Cristo, os quais demonstravam o uso terapêutico do exercício físico. A Medicina do Exercício e do Esporte, como atualmente prefere ser chamada, é uma especialidade reconhecida no Brasil pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). A Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME), fundada em 1962, é a representante legítima da especialidade em nosso país, enquanto a sua entidade máxima a nível internacional é a Fédération Internationale de Médecine Sportive (FIMS), estabelecida em 1928 e que conta com 110 países filiados e mais de 250.000 médicos especialistas em todo o mundo.

 

De acordo com a definição de 1977 da FIMS, a Medicina Desportiva é uma especialidade que inclui segmentos teóricos e práticos da medicina com o objetivo de investigar a influência do exercício, do treinamento e do esporte sobre as pessoas sadias ou doentes, com a finalidade de prevenir, tratar e reabilitar.

 

Segundo a SBME, é uma especialidade médica que compreende os campos teóricos e práticos da área que estuda a influência do exercício, o treinamento e a prática esportiva em pessoas sadias ou doentes, produzindo resultados importantes na prevenção, tratamento e reabilitação de patologias e na performance do atleta.

 

Durante todas essas décadas de crescimento do esporte competitivo a Medicina Desportiva buscou não estar direcionada somente a atletas de alto nível, mas também a pessoas não atletas que procuram utilizar a atividade física como meio de melhorar sua saúde. É o que se observa atualmente no Brasil, onde ela tem acompanhado a evolução da medicina no âmbito social e de saúde coletiva. Por esse motivo, didaticamente, podemos dividi-la em duas grandes áreas de atuação: Medicina do Esporte (relacionada com a performance e o alto rendimento do atleta) e Medicina do Exercício (seus efeitos para a saúde, prevenção e tratamento de doenças na população em geral).

 

Na Europa, a União Europeia de Médicos Especialistas e a Federação Europeia de Medicina do Esporte a definem como: especialidade multidisciplinar, clínica e acadêmica cujo objetivo é promover a saúde da população em geral, estimulando um estilo de vida fisicamente ativo, bem como o diagnóstico, o tratamento, a prevenção e a reabilitação de lesões e doenças que resultam da participação em atividade física, exercício ou esporte em qualquer nível.

 

Diversos estudos epidemiológicos demonstram, de forma clara, a influência benéfica da atividade física regular para a saúde, reduzindo a mortalidade e a incidência de muitas doenças, melhorando a qualidade e a expectativa de vida em portadores de doenças cardiovasculares, pulmonares, endocrinológicas, renais, neurológicas, osteo-mio-articulares, oncológicas, etc.

 

Definições e teorias à parte, a verdade é que somos médicos singulares em muitos aspectos. Não vemos os pacientes somente sentados ou deitados numa maca, como a medicina convencional. O médico do esporte não só imagina o paciente/esportista em movimento, realizando um esforço máximo, mas também o estuda e o avalia frequentemente nessas condições, seja em treinamento/competição ou em laboratório, reproduzindo as condições do exercício. Estas e muitas outras peculiaridades dessa apaixonante especialidade, nos próximos posts.

 

Referências bibliográficas:

Manonelles Marqueta, P. Medicina de la Educación Física y del Deporte. Especialidad con entidad propia. Archivos de Medicina Del Deporte. Volume XVIII, nº 142, 2011. Pág. 83-85.

www.femede.es

www.medicinadoesporte.org.br

Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Manual de Medicina do Esporte. Atheneu, 2009.

 

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Fluxograma Médico do Esportes

 

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Uma (meia) maratona com histórias pra contar

Meia Maratona de Amsterdam 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje não é sexta-feira, dia que fielmente estarei publicando textos novos.  Mas abrindo um parêntesis no processo de introdução do blog e da Medicina do Esporte, hoje estou aqui para contar uma situação inusitada e dramática que presenciei nesse último fim de semana. Pretendo que esse tipo de relato, baseado em experiências pessoais ou casos reais, seja uma rotina dentro do blog, trazendo reflexões e discussões sobre a medicina do esporte e a gestão, nesse caso específico, de grandes eventos esportivos.

 

Há pouco mais de um ano resolvi aderir ao turismo esportivo, mais ou menos aquilo de juntar a fome com a vontade de comer, nesse caso, esporte e viagem. Conheci várias cidades da Espanha, país onde resido, participando de corridas de rua ou de competições de triatlo. Minha estreia internacional foi no último domingo 20 de outubro: Meia Maratona de Amsterdam. Por quê? Pela oportunidade de conhecer essa peculiar capital europeia, pelo fato de ser uma das provas mais tradicionais e charmosas da Europa e pela facilidade de viajar pelo continente, mais barato e cômodo que viajar pelo Brasil, por exemplo. Na verdade, eram três provas em uma: maratona (42 km), meia maratona (21 km) e 10 km, com largadas em diferentes horários (9:30 h, 10:30 h e 13:30 h, respectivamente), provavelmente para que 42 mil corredores não se espremessem nas estreitas ruas da capital dos Países Baixos . Circuitos predominantemente planos, altitude inferior ao nível do mar e temperatura agradável para correr (15ºC) eram alguns dos atrativos extras.

 

Saí do apartamento onde me hospedei ao meio-dia e depois de andar alguns poucos metros adentrei no Vondelpark. Mais cinco minutinhos de passeio por aquele belo parque e comecei a escutar gritos de incentivo e aplausos. Por ali passavam os maratonistas, já pelo Km 40, com os típicos semblantes de desgaste extremo. Continuei caminhando, acompanhando e aplaudindo os corredores rumo ao estádio olímpico, local de chegada da maratona e largada da meia. Ao sair do parque pelo seu lado oeste, na avenida Amstelveenseweg, me deparei com um corredor de uns 55 anos que, exausto, interrompia a corrida e caminhava até a calçada, em minha direção. Sentou-se, estava pálido e nitidamente sem forças para terminar o último quilômetro. Apresentava sinais de leve desorientação, talvez por hipoglicemia e/ou desidratação. Ofereci ajuda que foi prontamente aceita. Tirei um gel de carboidrato da mochila e lhe entreguei. Em seguida se aproximou uma mulher com uma garrafa de água e uma pessoa da organização do evento. Em dois ou três minutos, apareceu um paramédico que se encarregou de levá-lo ao posto de primeiros socorros. Alguns metros adiante havia outro corredor, um jovem de no máximo 30 anos, sentado na calçada recebendo atenção médica. Não parecia nada grave, segui em frente, faltavam 40 minutos para a minha largada. Foi quando presenciei uma cena dramática. Ali estava um corredor com seus 40 anos, estendido no asfalto, inconsciente, em parada cardio-respiratória, com os eletrodos do desfibrilador semi-automático (DESA) já colocados no tórax e recebendo massagem cardíaca. Depois de observar por alguns segundos as manobras de reanimação (bem realizadas, diga-se de passagem), me aproximei e perguntei por que o DESA não funcionava. A jovem me disse que o paciente estava em assistolia (estado em que o coração apresenta ausência completa de atividade elétrica), razão pela qual não se desfibrila. Por isso seguiam com a massagem cardíaca, sem usar o desfibrilador, esperando a chegada da ambulância de suporte avançado para dar continuidade ao tratamento e fazer a evacuação do paciente o mais rápido possível. Cinco minutos depois chegaram a polícia, os bombeiros e a UTI móvel. A área foi isolada e os curiosos dispersados.

 

Na meia hora seguinte a estes episódios, um turbilhão de ideias invadiu minha cabeça. Não sabia se pensava na minha estratégia de corrida, em como me posicionar no pelotão de largada para não pegar tráfego no início da prova ou em como prevenir a morte súbita no esporte, principalmente em provas de endurance, sejam elas maratonas, triatlos, travessias, ultras, etc. Onde estaria a ambulância, que demorou mais de cinco minutos em chegar ao local do desfalecimento? Seriam os quilômetros finais os potenciais locais de óbitos em maratonas? Como se organiza (ou deveria se organizar) a atenção médica em grandes eventos? Estão os maratonistas bem preparados e orientados? Vale a pena exigir exame médico pré-participação para esse tipo de prova e competidor? Estão banalizando as longas distâncias no esporte?

 

No próximo post extraordinário, a medicina esportiva, apoiada na gestão de grandes eventos, tratará de discutir estas questões. O que você, leitor, tem a acrescentar? 

 

 

email: glucas@gestaoesporte.com

twitter: @drgulucas

 

 

Créditos das fotos (matéria e Banner): Gustavo Lucas

 

 

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A Medicina e a Gestão em Prol do Esporte

Bem vindos ao portal GestãoEsporte.com, espaço onde discutiremos a Gestão Esportiva através de um ponto de vista interdisciplinar e horizontalizada. Semanalmente, este blog terá a missão de agregar informação e gerar discussões no que se refere à Medicina Esportiva e suas áreas afins, quase sempre com a gestão como pano de fundo. Por outro lado, caberá ao leitor promover e enriquecer o debate, o que transformará esse colóquio em uma continua troca de conhecimento.


A partir do segundo post, para situar o leitor e também como forma de introdução, nosso blog dará ênfase à definição de Medicina do Exercício e do Esporte, essa especialidade médica relativamente jovem e pouco conhecida. Serão comentados sua história, sua importância ao longo do tempo e seu futuro em uma sociedade moderna de carros, elevadores, vídeo games e escadas rolantes, onde a obesidade e suas doenças associadas ganharam status de protagonistas. Serão respondidas perguntas habituais, como: quem é o médico do esporte? O que ele faz? Onde, como e com quem ele trabalha? Ele só atende atletas? Qual é o seu campo de atuação? Serão destacadas suas subespecialidades e seu caráter preventivo e multidisciplinar.


Aí surge a questão: onde entra a gestão dentro da medicina esportiva? Se gestão é o ato de gerir e este significa administrar, comandar e dirigir, conclui-se que o médico do esporte também é um gestor habitual. Veremos que, pelo fato de ser o líder de um departamento ou de uma equipe multidisciplinar (e ao mesmo tempo parte integrante de uma organização esportiva), o médico contribui de forma direta para o resultado esportivo, não só através da prevenção, do diagnóstico e do tratamento rápido e eficaz da lesão e da doença, mas também é imprescindível na planificação do treinamento do atleta e na sua preparação para o rendimento e a competição.


Enfim, futuros posts virão para apresentar uma especialidade cuja abrangência é bem maior do que o termo "Medicina do Esporte" possa sugerir.

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