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GEDAM - Grupo de Estudos em Desenvolvimento e Aprendizagem Motora - UFMGGEDAM - Grupo de Estudos em Desenvolvimento e Aprendizagem Motora - UFMG


Controle postural ao longo da senescência

 

Controle postural ao longo da senescência

 

Silvana Lopes Nogueira

 

 

Ao longo de toda a vida, os indivíduos passam por mudanças na forma de realizar os movimentos, ou seja, na organização do comportamento motor, o que caracteriza o desenvolvimento motor. Nas etapas inicial e final da vida, as alterações no organismo ocorrem de forma mais acelerada, por isso o desenvolvimento motor é mais perceptível nessas etapas do que nas demais. Especialmente na fase final da vida, denominada senescência, quando acontecem diversas modificações anátomo-funcionais em decorrência do processo de envelhecimento, o desenvolvimento continua, uma vez que o organismo tem que se adaptar à sua nova condição e tentar executar as mesmas tarefas que realizava antes; em outras palavras, ocorrem mudanças nos padrões de movimento visando atender à nova condição do indivíduo, idoso no caso.

O comportamento motor de qualquer indivíduo emerge a partir da interação entre o seu organismo e o ambiente no qual ele se encontra, e de acordo com a tarefa que ele executa. Para realizar atividades aparentemente simples, como ficar de pé e se locomover pela casa, o controle postural é fundamental; ele também é solicitado para as demais atividades da vida diária, tais como tomar banho, deitar-se, levantar-se da cama, alimentar-se, vestir-se, ir ao banheiro, entre outras. O controle postural pode ser definido como o controle da posição do corpo no espaço para o propósito duplo de estabilidade e orientação. Enquanto a estabilidade é a capacidade de manter o corpo em equilíbrio, ou seja, o centro de massa corporal sobre a base de apoio, a orientação postural diz respeito à manutenção adequada entre os segmentos corporais, e entre esses e o ambiente, para se conseguir realizar algum tipo de tarefa. Dessa maneira, por ser fundamental na execução de atividades da vida diária, na realização de atividades físicas e por servir de suporte para as mudanças que ocorrem nas habilidades motoras ao longo da vida, especificamente no caso de idosos, o controle postural comprometido é preditor de baixa capacidade funcional, quedas, institucionalização e mortalidade.

Os principais sistemas responsáveis pelo controle postural são o muscular, o nervoso e o sensorial, e em decorrência do processo de envelhecimento eles sofrem mudanças, tais como diminuição do número e tamanho das fibras musculares, alterações anatômicas e químicas no sistema nervoso e redução na capacidade de recepção de informações pelo sistema sensorial. Várias dessas modificações começam a ocorrer em idades relativamente jovens, em alguns casos a partir de 30 anos. Além disso, estudos têm demostrado que, ao longo da senescência, alterações morfológicas e funcionais nos sistemas responsáveis pelo controle postural continuam ocorrendo, o que leva o organismo a continuar a se desenvolver aos 70, 80, 90 anos, ou seja, a continuar buscando novas formas de realizar as mesmas tarefas, com um organismo em diferentes condições.

            Embora o envelhecimento esteja associado à redução da funcionalidade dos sistemas acima citados, ainda não estão claros quais os critérios que caracterizam o controle postural em cada faixa etária. A principal forma pela qual o controle postural tem sido estudado é a avaliação da oscilação corporal, que pode ser medida, por exemplo, em uma plataforma de força. Quando tal análise é realizada com o indivíduo parado, e sem a inserção de perturbação, é denominada posturografia estática. Essa condição é chamada postura ereta quieta, pois mesmo quando uma pessoa está aparentemente parada, ela realiza pequenas oscilações, uma vez que forças internas (batimento cardíaco e respiração, por exemplo) e externas (como a força da gravidade) agem constantemente sobre o corpo. A partir da avaliação da oscilação corporal, é possível extrair informações sobre a magnitude e a estrutura, e assim inferir a respeito da organização dos sistemas de controle subjacentes, ou seja, de que forma essa oscilação é controlada ao longo do tempo de realização da tarefa. Algumas pesquisas têm observado que idosos possuem maior magnitude de oscilação do que jovens, tais como maior área, velocidade e frequência de oscilação, isto é, há maior oscilação em idosos do que em adultos jovens. Estudos mais recentes têm buscado também capturar a dinâmica temporal da oscilação, por meio de análises estruturais, o que pode ser feito com o auxílio de ferramentas da física e da matemática; alguns trabalhos observaram que jovens oscilam de forma mais aleatória, enquanto idosos apresentaram uma oscilação corporal mais estruturada. Em outras palavras, na tentativa de permanecerem em pé e parados, idosos possuem maior proporção de impulsos rápidos corretivos e, portanto, uma maior relação entre a oscilação passada, a oscilação presente e a oscilação futura, com vistas a obter maior estabilidade postural.

De um modo geral, pesquisas que buscam entender os efeitos do envelhecimento sobre o controle postural comparam um grupo de idosos com um grupo de jovens. No entanto, como citado anteriormente, mudanças nos sistemas responsáveis pelo controle postural continuam a ocorrer ao longo da senescência. Dessa forma, idosos não podem ser considerados um grupo etário uniforme, definido apenas por indivíduos com idade superior a 60 ou 65 anos. Idosos longevos (idade superior a 80 anos), por exemplo, possuem características distintas de idosos mais jovens, e é importante ressaltar que o conhecimento sobre idosos em idade avançada ainda é escasso na literatura. Especialmente no que se refere ao controle postural, raros são os trabalhos que comparam idosos longevos com mais jovens. Além disso, nenhum estudo investigou sobre mudanças na estrutura da oscilação corporal dentro da própria senescência.

Por isso, um estudo vem sendo conduzido na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais com intuito não apenas de verificar o que acontece no controle postural com o envelhecimento - comparando a magnitude e a estrutura da oscilação corporal entre idosos e jovens, mas também em diferentes etapas da senescência. O aumento exponencial de idosos longevos na população, bem como a escassez de estudos sobre esse grupo leva à necessidade de se conhecer melhor as mudanças dentro da própria senescência. Busca-se com esse trabalho identificar padrões característicos de oscilação corporal para cada faixa etária investigada, permitindo conhecer melhor o que acontece com o controle postural dentro da senescência.

 

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Fornecer ao aprendiz controle sobre aspectos da prática traz benefícios na aquisição de habilidades motoras

Controle dos aspectos da prática

Fornecer ao aprendiz controle sobre aspectos da prática traz benefícios na aquisição de habilidades motoras

 

Lucas Savassi Figueiredo

 

No campo da Aprendizagem Motora a grande maioria das pesquisas conduzidas possuem suas condições de prática controladas pelo experimentador, tendência que também é verificada em contextos de ensino-aprendizagem de habilidades motoras, nos quais o professor/instrutor controla estas mesmas condições de prática, de acordo com suas expectativas do processo de aprendizagem do sujeito. Entretanto, uma nova perspectiva vem ganhando força nos estudos de aprendizagem motora, que demonstram benefícios ao se fornecer ao aprendiz controle sobre um ou mais aspectos da prática quando comparados aos sujeitos que não possuem controle sobre estes mesmos aspectos.

Inicialmente adaptada dos contextos da aprendizagem acadêmica e verbal, a principal justificativa por trás dos benefícios encontrados em função do autocontrole decorrem da auto-regulação, ou seja, de processos através dos quais as pessoas gerenciam seus comportamentos direcionados a metas. A partir desta premissa, pesquisadores da Aprendizagem Motora buscaram aplicar este conceito na aprendizagem de movimentos, supondo que fornecer ao aprendiz controle sobre algum dos aspectos da prática potencializaria a auto-regulação e consequentemente a exploração do uso de estratégias para facilitar a aprendizagem. Atualmente uma hipótese rejeitada, o aumento da motivação em função de o indivíduo se perceber agente ativo do processo de aprendizagem também já foi utilizado como possível explicação para os benefícios do autocontrole.

            Com o intuito de compreender o processo de aprendizagem motora com maior foco no aprendiz, em detrimento do experimentador, é possível que os sujeitos se envolvam no processo de aprendizagem de maneira mais ativa, e que manipulem os aspectos sob seu controle de acordo com estratégias que atendam suas necessidades individuais no processo em que estão inseridos. Tais premissas foram confirmadas em estudos que forneceram aos aprendizes controle sobre diversos aspectos da prática, como a estruturação da prática, informação sobre o seu erro (feedback) e a utilização de assistência física.

            Apesar de possuir evidências contundentes em seu favor, fornecer ao aprendiz controle sobre algum dos aspectos da prática ainda não apresenta clareza nos mecanismos envolvidos no processo de aprendizagem que levam a tais benefícios encontrados. Tal premissa é evidenciada por alguns poucos estudos que falham em encontrar os benefícios do autocontrole na aprendizagem de movimentos, seja por distinções quanto à população investigada ou mesmo pela demanda específica da tarefa utilizada pelos pesquisadores. Um exemplo claro pode ser apresentado nos estudos que investigam o autocontrole de Conhecimento de Resultados (um tipo de feedback que diz respeito ao resultado obtido pelo sujeito em relação à meta da tarefa) por crianças de 10 anos, em que foi observada igualdade do grupo autocontrolado em relação ao grupo externamente controlado. Aparentemente crianças são ineficazes em estimar seu desempenho, e dessa maneira utilizar a solicitação do CR quando ela efetivamente é necessária. Assim, compreende-se que alguns fatores, como o nível de desenvolvimento dos indivíduos e a complexidade da tarefa podem afetar os resultados encontrados nas pesquisas. Ainda, existem diversos outros fatores como o nível de experiência, demanda da tarefa, dentre outros, que permanecem pouco explorados quanto aos efeitos obtidos na utilização do autocontrole de variáveis da prática.

Em decorrência do quão recente esta perspectiva foi integrada à área da Aprendizagem Motora, fica evidente a necessidade de não apenas continuar demonstrando os benefícios do autocontrole sobre diversos aspectos da prática, mas principalmente de se avançar no entendimento dos mecanismos decorrentes do autocontrole envolvidos na aquisição das habilidades motoras. Este é, portanto, um amplo campo a ser investigado e, ao mesmo tempo, um dos desafios atuais para os pesquisadores da área, o que deve garantir um grande fluxo de produção científica relacionada ao autocontrole em um futuro próximo.

 

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O fenômeno variabilidade no comportamento motor

                                                         O fenômeno variabilidade no comportamento motor

 

A execução de um padrão de movimento, se realizados diferentes vezes, apresentará comportamentos sempre distintos.  Isso porque o ser humano não consegue repetir movimentos de forma idêntica, sendo essa a principal característica do fenômeno da variabilidade. O comportamento variável pode ser também observado quando pessoas diferentes realizam uma mesma tarefa. Essas diferenças ocorrem porque seres humanos se desenvolvem de maneiras distintas, tanto em aspectos biológicos, como fatores genéticos e as capacidades inatas, quanto em aspectos ambientais como a exploração de movimentos na infância, as diferentes formas de ensino-aprendizagem vivenciadas, dentre diversos fatores, que refletirão nas variações dos movimentos realizados.

 

Outra forma de observar a variabilidade é no processo de aquisição de habilidades motoras. À medida que uma habilidade motora é aprendida, mudanças relativamente permanentes ocorrem nesse processo. Inicialmente, o aprendiz inicia sua prática com um comportamento inconsistente, com um alto número de erros e alta demanda de atenção para execução. Em seguida a este momento, passa para um estágio intermediário, em que há redução dos erros e de variabilidade, tanto no seu padrão de movimento, quanto no desempenho apresentado, mas que ainda é necessário um maior refinamento da habilidade praticada para que o erro e essa variabilidade sejam reduzidos ao máximo, caracterizando um estágio autônomo. O alcance de tal estágio, além da redução de erros, requer também o aumento da consistência, quando o aprendiz assume um padrão espaço-temporal de execução da habilidade motora.

 

Esse comportamento tipicamente esperado faz da redução da variabilidade uma espécie de medida para o sucesso ou fracasso ao se realizar tarefas motoras. Alta variabilidade seria comumente considerada como um índice de desempenho ruim e baixa variabilidade habitualmente considerada como ótimo nível de desempenho. Mesmo que o aprendiz tenha atingido o estágio autônomo e essa variabilidade tenha sido reduzida, ainda assim, não é totalmente eliminada. Essa visão mostra a variabilidade na sua forma mais tradicional nas pesquisas sobre comportamento motor. Mas, será que a variabilidade do movimento deve sempre ser refletida como um aspecto negativo?

 

A variabilidade deve ser considerada não como uma característica ruim presente no comportamento motor, mas ao contrário, um fenômeno que pode apresentar um aspecto benéfico ao se desempenhar habilidades motoras. Atualmente, diversas pesquisas em Comportamento Motor são realizadas com o objetivo principal de verificar os efeitos desse fenômeno na aquisição de habilidades motoras. Ao invés de quantificar a variabilidade (alta/ruim, baixa/boa), as variações presentes nos comportamentos são consideradas estruturadas e não mais aleatórias, isto é, apresentam uma espécie de relação aos comportamentos passados, que refletirão nas tentativas futuras rumo à meta da tarefa. Essas variações são organizadas por natureza e possuem a característica flexível que podem refletir no sucesso do comportamento.

 

É importante considerar que, ao se ensinar uma habilidade motora, a variabilidade inicial deve ser reduzida para a formação de um padrão de movimento. Porém, é importante também considerar que os movimentos variáveis remanescentes no comportamento motor podem ser benéficos para atingir desempenhos cada vez melhores no processo contínuo de aquisição de habilidades motoras.

 

 

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Efeitos da Faixa de Amplitude de Conhecimento de Resultados na adaptação a perturbações imprevisíveis

 

Efeitos da Faixa de Amplitude de Conhecimento de Resultados na adaptação a perturbações imprevisíveis


Maria Flávia Soares Pinto Carvalho


No processo de aprendizagem de uma habilidade motora, mudanças internas ocorrem nos aprendizes, às quais podem ser verificadas em níveis comportamentais. No início do processo, o aprendiz apresenta um elevado número de erros e, quando acerta a meta da tarefa proposta, não consegue manter esse nível de desempenho por muitas tentativas, sendo inconsistente. Com a prática, esse comportamento vai se modificando: os erros diminuem, pois os aprendizes se tornam mais precisos e esse bom desempenho se repete ao longo das tentativas, tornando consistente. Esse processo de mudança de comportamento é influenciado por fatores que interferem no processo de aquisição de habilidades motoras. Um desses fatores é o feedback que é a informação de retorno sobre o desempenho realizado, que permite ao aprendiz fazer comparações entre a ação executada e a desejada e realizar ajustes necessários para o alcance da meta da tarefa.


Na área de Comportamento Motor, um dos tipos de feedback é o Conhecimento de Resultados (CR), informação relacionada ao resultado da ação no ambiente. Esse tipo de feedback é fornecido por fontes externas como filmagens, escores, professores/treinadores e até computadores.


Uma das formas de fornecimento do CR é a utilização de faixa de amplitude, na qual a informação relacionada ao alcance da meta é fornecida somente após as tentativas nas quais o desempenho está fora de uma faixa de erro tolerável pré-estabelecido. Nas tentativas em que o desempenho está dentro dessa faixa, o CR não é fornecido. Entretanto, uma particularidade desta forma de fornecimento de CR é que a ausência de seu fornecimento tem significado, pois o sujeito é informado de que essa falta de CR significa que o seu desempenho está dentro da faixa de amplitude estabelecida e é tido como uma faixa aceitável de erro; em outras palavras, um acerto.


A utilização de faixas de amplitude de CR pode favorecer o alcance de características que se esperam de um sujeito habilidoso, devido a dois fatores: primeiro, a realização de um desempenho fora da faixa estabelecida pressupõe a necessidade de correções, o que pode levar ao ganho em precisão na habilidade praticada; segundo, a ausência de CR, quando o desempenho está dentro da faixa de amplitude estabelecida indica que o comportamento realizado deve ser mantido na tentativa subsequente, sendo essa manutenção um importante fator para o alcance da consistência no desempenho.


Além de precisão e consistência, outra característica do comportamento habilidoso é a adaptabilidade, ou seja, a capacidade de ajustar a ação executada, visando ao atendimento das mudanças, ou perturbações, a fim de alcançar o objetivo da tarefa. Esta afirmação pode ser observada em um jogador de voleibol de seleção nacional. Quando vai defender uma cortada, ele deve estar preparado para controlar a bola que vem com força do ataque adversário. Contudo, se um jogador do seu time consegue interceptar a bola durante o bloqueio, a bola é amortecida e diminui a sua velocidade. Consequentemente, o defensor tem que modificar a força a ser implementada à bola em função da diminuição da sua velocidade.


Para conseguir atingir um alto domínio e eficiência nessa habilidade, mesmo na presença de perturbações, quando é necessário adaptar uma ação que havia planejado, esse jogador deve ter passado por um processo de aprendizagem que garanta o aparecimento dessas características (domínio e eficiência). Pressupõe-se, então, que fatores envolvidos nesse processo, como o CR, e a sua forma de fornecimento influencie a capacidade de adaptação.


Esta posição tem suporte na característica da faixa de amplitude de CR, pois ela auxiliaria na capacidade de adaptação, já que ela utiliza uma faixa de acerto e não um zero absoluto como meta para execução do movimento correto. Consequentemente, há uma liberdade de ação, na medida em que o desempenho pode permanecer em torno dessa faixa de tolerância, o CR não é fornecido e o movimento não precisa ser modificado. Esta faixa de amplitude de CR, então, favoreceria o surgimento de um comportamento não rígido (adaptável), imprescindível, quando o contexto no qual as habilidades motoras são executadas é permeado de mudanças, muitas vezes inesperadas, mas ainda assim é necessário manter a precisão no desempenho.


A influência da faixa de amplitude de CR na capacidade de adaptação a perturbações inseridas de forma imprevisível em uma tarefa de força isométrica foi estudada no Grupo de estudos em Desenvolvimento e Aprendizagem Motora (GEDAM) da Universidade Fedral de Minas Gerais (UFMG). Nesse trabalho, os participantes foram divididos em dois grupos: Grupo faixa (GF), que recebeu CR apenas quando o erro ultrapassou 5% em relação à porcentagem de força máxima solicitada; e o Grupo controle (GC), que recebeu CR em todas as tentativas. O experimento consistiu de duas fases: pré-exposição e exposição e a tarefa tinha como objetivo alcançar um determinado percentual de força máxima em três segundos. Na pré-exposição, a meta era manter 40% da força máxima em 81 tentativas, e o CR foi fornecido de acordo com o grupo. Durante a exposição, conduzida no dia seguinte, foram realizadas 126 tentativas da mesma tarefa. Porém, foram inseridas 18 tentativas com perturbação de forma imprevisível, caracterizadas por novas magnitudes de força a serem alcançadas. Essas perturbações eram inseridas no segundo e meio final da tentativa. Havia duas magnitudes diferentes de perturbação: meta de 60% da força máxima (PI) e meta de 20% da força máxima (PII), com nove tentativas em cada. Os resultados mostraram que ambos os grupos diminuíram o erro, do início para o final da pré-exposição, com nível similar de desempenho. Na fase de exposição, foi encontrado que, na PI, perturbação que gerou maiores desafios ao bom desempenho dos sujeitos, o GC apresentou maior erro que o GF. Conclui-se que a faixa de amplitude de CR, manipulada durante a fase de pré exposição, necessária para que os grupos aprendessem a tarefa, proporciona melhor adaptação, conforme maior consistência do GF ao lidar com a PI. No presente estudo, a perturbação foi inserida após o movimento ter iniciado. Por esta razão, os participantes não poderiam planejar com antecedência seus comportamentos mudanças, a fim de apresentar um bom desempenho em tais ensaios. Este tipo de perturbação é muito comum de ocorrer em contextos desportivos. Em um jogo de basquete, por exemplo, quando o jogador quer fazer uma bandeja e após o início de movimento, ele enfrenta os defensores que o impedem de fazer o ponto. Esse jogador tem que fazer mudança em seu padrão de movimento para fazer a cesta.


Dentre os diversos tipos de fornecimento de informação, a faixa de amplitude é a mais fácil de ser utilizada e controlada em situações de ensino-aprendizagem, à medida em que o feedback é fornecido pelo professor somente quando o erro ultrapassa uma determinada faixa estipulada. Então, a referência para o fornecimento de informação passa a ser o próprio aluno e não o professor, pois a natureza da informação disponibilizada é baseada no desempenho.

A fim de que a faixa de amplitude possa gerar uma comportamento adaptável, é necessário que o professores/técnicos estejam atentos ao fornecer informações que estejam de acordo com o nível de habilidade de seus alunos/atletas, utilizando uma faixa de tolerância de erro maior ou menor. Para alunos/atletas com pouco treino, quando ainda não há uma referência do movimento e o padrão da habilidade ainda está sendo formado e o número de erros grosseiros é elevado, deve-se estipular uma faixa de amplitude maior. À medida que o padrão de movimento é adquirido, é necessário o seu refinamento, a fim de atingir a meta da habilidade. Nesse caso, é necessária a adoção de uma faixa de tolerância menor, a qual permitiria a realização de ajustes mais finos. Portanto, a adoção desse tipo de fornecimento de informação pelo professor/técnico pode ser eficaz para o alcance de níveis cada vez mais elevados de habilidade.

 

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GEDAM – Grupo de Estudos em Desenvolvimento e Aprendizagem Motora / UFMG por Rodolfo Benda

 

GEDAM - Grupo de Estudos em Desenvolvimento e Aprendizagem Motora / UFMG

 

Prof. Dr. Rodolfo Novellino Benda

 

O campo de estudos de Aprendizagem Motora e de Desenvolvimento Motor sempre foi uma preocupação no Laboratório de Psicologia do Esporte - LAPES da UFMG. As próprias disciplinas do curso de graduação foram implantadas a partir de iniciativa do Laboratório. Assim, o GEDAM tem seu ponto de partida dentro do LAPES. O Grupo de Desenvolvimento e Aprendizagem Motora - GEDAM foi formalmente institucionalizado junto ao Departamento de Educação Física da então Escola de Educação Física (atualmente Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional) da UFMG em 1994. No decorrer deste ano e no ano seguinte, as atividades se resumiram a uma reunião científica semanal. Com o processo de capacitação em nível de doutorado do professor coordenador, as atividades ficaram suspensas entre 1996 e 2000, quando do seu retorno e reinício das atividades do grupo.

 

O cadastro como professor orientador no Curso de Mestrado em Educação Física e a atuação no Curso de Especialização em Treinamento Esportivo permitiram a aproximação de profissionais graduados interessados na carreira acadêmica e no processo de produção de conhecimento. Assim, em 2001, o grupo retoma suas reuniões iniciando projetos de pesquisa especialmente na área de Aprendizagem Motora na linha "Fatores que influenciam a aquisição de habilidades motoras".

 

Paralelo ao trabalho desenvolvido internamente, buscou-se reconhecimento externo com a expectativa de submeter os estudos produzidos à comunidade acadêmica especializada, ou seja, da área de Comportamento Motor. Com este intuito houve grande mobilização para a participação do I Congresso Brasileiro de Comportamento Motor em Gramado (setembro de 2002) e assim, realizar o II Congresso em Belo Horizonte em 2004.

 

No intervalo destes congressos, é aprovado em concurso para a UFMG outro professor formado na área de Comportamento Motor que rapidamente se insere ao GEDAM o que permite a sua ampliação. Projetos de pesquisa são apresentados, e se obtém financiamento para a aquisição de equipamentos, computadores, dentre outros implementos essenciais à pesquisa.

 

O evento de 2004 é realizado com grande sucesso, com a participação de grandes pesquisadores da área de reconhecimento nacional e internacional. As publicações são submetidas e as linhas de pesquisa se ampliam, o que permite ampliar a captação de recursos humanos e consequentemente, o número de projetos de pesquisa. A partir de 2006, os estudos encaminhados começam a ser publicados em periódicos de maior expressão e um dos professores coordenadores foi para seu pós-doutorado na Universidade de Queensland (Austrália) o que permitiu ampliação das linhas de pesquisa do Grupo. Em 2008, os professores traçam a meta de internacionalização do grupo de pesquisa e começam a participar dos principais congressos internacionais na América do Norte e na Europa.

 

Em 2011, outro professor do grupo foi para seu pós-doutorado na Universidade de Connecticut (Estados Unidos) e em 2013 dois novos professores são aprovados em concurso público da UFMG e estão atualmente vinculados ao Grupo. Até o presente momento o GEDAM formou 1 pós-doutor, 1 doutor, 23 mestres e conta atualmente com 14 alunos de doutorado e três alunos de mestrado. Dos 23 mestres formados, 5 já são doutores, 11 estão em doutoramento e 6 deles integram quadro docente de universidades públicas federais.

 

Completamos neste ano de 2014 um total de 20 anos desde as primeiras reuniões, mas considera-se o ano de 2001 como o início efetivo das atividades do GEDAM, à medida que foram propostas atividades de investigação sistematicamente orientadas, seguindo uma linha de pesquisa e métodos claramente definidos. Mas nosso principal objetivo não é olhar para trás e descrever o que foi feito. Ainda há muito por fazer e por isso, continuamos a olhar para frente, com humildade, responsabilidade e esperança de construir uma bonita história de paixão pelo conhecimento novo.

 

 

 

 

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O Comportamento Motor

 

Comportamento Motor

 

Prof. Dr. Rodolfo Novellino Benda

 

O objeto de estudo em nosso laboratório é o Comportamento Motor, que como área de estudo é composta pelos subcampos de conhecimento: Controle Motor, Aprendizagem Motora e Desenvolvimento Motor. Numa proposição formal, a linha de pesquisa é: Aquisição, Controle e Adaptação de habilidades motoras ao longo da vida.

 

Mais especificamente, o estudo do Controle Motor visa conhecer os mecanismos e processos subjacentes à execução do movimento humano. A investigação do controle motor pode envolver a utilização de diferentes métodos ou instrumentos para mensurar a execução do movimento. Saber quais estruturas neuromotoras participam efetivamente da execução de um movimento e como elas atuam é um dos objetivos da área.

 

O estudo da Aprendizagem Motora visa conhecer os mecanismos pelos quais se aprende assim como os fatores que interferem neste processo. Aprender um movimento é apresentar uma mudança relativamente permanente no comportamento motor tendo como fator imprescindível a prática. Aprender sem praticar é roteiro de ficção científica, pois é quando se pratica, se treina que o aprendiz conhece e aperfeiçoa a habilidade motora. As pesquisas tradicionalmente investigam como o professor ou treinador podem oportunizar aos alunos (atletas) condições mais efetivas para aprenderem, utilizando-se de informação e instrução, assim como planejamento das práticas mais efetivas ao processo de aquisição de habilidades motoras.

 

O estudo do Desenvolvimento Motor trata das mudanças no comportamento motor que ocorrem ao longo do ciclo de vida, isto é, numa escala temporal mais longa. Está relacionado com os movimentos típicos que o ser humano está apto a realizar em cada faixa etária. No caso de crianças e adolescentes, é possível inclusive pensar em que tipo de experiências motoras, brincadeiras ou programas de iniciação ao esporte promovem o desenvolvimento motor de maneira mais adequada.

 

            Para tentar abraçar todas estas temáticas, nosso laboratório estabeleceu várias linhas de pesquisa, descritas a seguir:

 

  1. Fatores que influenciam a aquisição de habilidades motoras: Investiga como diferentes aspectos manipulados tradicionalmente pelo professor ou treinador durante o processo da prática afetam a aquisição de habilidades motoras. Os resultados dos estudos desta linha permitem conhecer qual a melhor forma de explicar a tarefa a ser aprendida, fazer correções ao aprendiz ou mesmo a melhor forma de treinar a habilidade.

  2. Adaptação motora: Processos e mecanismos subjacentes à adaptação motora, análise das características que propiciam a adaptação e investigação de fatores que os influenciam. Os resultados dos estudos desta linha possibilitam esclarecer as condições necessárias para o praticante se ajustar às demandas do contextos durante a execução de movimentos. Ainda é possível compreender como o ser humano se adapta a diferentes tipos de perturbação.

  3. Alterações no comportamento motor ao longo do ciclo de vida: Análise das mudanças nas habilidades motoras ao longo do ciclo de vida (infância, adolescência, adultos e senescência). Esta linha ataca a problemática do desenvolvimento motor, buscando descrever quais movimentos são passíveis de serem aprendidos e executados em cada etapa da vida, assim como compreender os fatores que interferem e determinam a incorporação de novas habilidades motoras.

  4. Funções sensório-motoras: Processos comportamentais e neurais envolvidos no controle de ações habilidosas, com ênfase na investigação das assimetrias e transferência entre membros, na influência das funções executivas e dos transtornos psiquiátricos. O foco desta linha está associado à compreensão dos mecanismos responsáveis pela execução dos movimentos, que envolve o sistema neuromotor, e o as relações dos processos neuropsicológicos no comportamento motor. Para a investigação desta temática, tem-se utilizado também de população atípica, como crianças com déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade, por exemplo.

  5. Variabilidade: Análise de magnitude e estrutura da variabilidade, sua relação com flexibilidade de comportamento e os fatores que a influenciam. Esta linha busca identificar o quanto cada pessoa difere o padrão de um mesmo movimento entre várias execuções; investiga ainda se estas diferenças são aleatórias ou se apresentam algum tipo de regularidade.

 

Como é possível perceber, as linhas de pesquisa indicam uma tendência para a pesquisa básica, isto é, com o objetivo de conhecer o fenômeno. Em outras palavras, a intenção do nossa Grupo é conhecer como o ser humano controla, aprende, desenvolve seus movimentos, como ele se adapta frente a diferentes perturbações e quais os fatores interferem nestes processos. Obviamente que, ao encontrar tais respostas, o profissional de educação física (seja da escola, clube, academia, hospital, etc.) terá mais subsídios para planejar seu macrociclo de treinamento, elaborar suas aulas, propor atividades a serem praticadas pelos alunos. Se por um lado o conhecimento produzido não indica diretamente como o profissional deve atuar, por outro lado oferece importantes subsídios indiretos para fundamentar a sua intervenção. Se há uma limitação no tocante à aplicação direta dos conhecimentos produzidos, há também a ampliação do conhecimento sobre como ocorre o comportamento motor e assim retroagir sobre os processos pedagógicos tradicionalmente fundamentados.

 

O objetivo deste blog será na sequência, apresentar os diferentes estudos desenvolvidos, seus achados mais relevantes e possíveis implicações para a intervenção profissional. Nossa compreensão é que o conhecimento sobre Comportamento Motor é fundamental para o planejamento da intervenção profissional, em curto, médio e longo prazo. Assim sendo, um gestor do esporte que conhece um pouco de Comportamento Motor terá melhores condições de elaborar um planejamento adequado às características de seus alunos ou atletas.

 

 

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